quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Respeitinho é muito lindo!

Tempestade na Bretanha

I have a dream


Este homem tem um sonho e já está mandatado para o realizar.
Está convicto que o poderá tornar realidade.
Os americanos acreditaram nele como eu acreditaria se fosse americano.
Esperemos que se cumpra o sonho, em nome de uma América e por arrasto um mundo mais justo.
Como estou de fora e leio alguma coisa sobre a América e sobre a maneira como os verdadeiros poderosos pensam na America, desejo-lhe muito boa sorte, mas apesar de tudo cheira-me (com imensa pena) que - "No you can't".

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A selva


“O Capitalismo é a arte do desenrasque”. Quase que podia jurar que foi alguém importante quem disse isto. Alguém importante ou pelo menos lúcido. Alguém que, asseguro, teria do ser humano a ideia que todos deveriamos ter. O ser humano, se tentado, comporta-se como qualquer predador no seu habitat natural. Delimita o seu circulo mais restrito mesmo que para isso tenha que destruir tudo o que antes construiu: obras, relações, ordem, organização.
A civilização é um tropeção na longa marcha evolutiva. O Homem é um solavanco da natureza; um ramo que cresceu mais que o previsto mas que por isso mesmo um dia vergará ao peso dos seus próprios frutos.
Tudo nos é anterior e tudo nos será posterior e da nossa civilização nada restará que o tal pequeno tropeção. Tão pequeno que não passa de um pequeno grão de areia se comparado com a imensidão do relógio cósmico.
Daí que, ciente da sua efemeridade, o Homem tudo quer, tudo mexe, tudo reclama. E tudo ao mesmo tempo.
O Capitalismo é, por isso mesmo, o que mais se aproxima do lado animal da nossa raça. O forte alavancando a sua subida nas costas do fraco. O grande alimentando-se do pequeno mesmo que antes o tenha tratado como igual na sua ansia de chegar ao cume.
Tempos de leite e mel incutem espíritos de solidariedade que logo são arredados: basta faltar sustentação. Aos fracos as sobras e as revoltas. Mas mesmo que das revoltas surjam novas ordens, rapidamente se rodeiam dos vícios das anteriores. Servidão e acrescidas benesses que um pequeno intervalo de tempo permite que sejam distribuidas com alguma justiça. Um pequeníssimo intervalo.
Quando o Status Quo treme, as fundações que outrora eram de ferro descobrem-se e mostram que mais não eram que barro pintado.
O capitalismo, disse-o um dia, penso, alguém importante, é a única filosofia económica que vinga. É obviamente imperfeita, mas tem uma característica impar: não foi inventado pelo Homem.
É a luta pela sobrevivência com as regras que a Natureza para si também impõe: os maiores sobrepõem-se aos menores, os mais fortes alimentam-se dos mais fracos. Regras límpidas que achamos justas ou não consoante estejamos na metade de cima ou na metade de baixo.
O Homem, arrogante, tem de si uma imagem de superioridade em relação ao equilibrio da Natureza. Pensa e, com tal atributo, tem consciência da sua finitude e do papel que tem que desempenhar no pouco tempo que por aqui anda. O Homem quer deixar rasto, quer deixar obra, quer lançar no futuro uma imagem perene da sua passagem. Pretende contrariar a Natureza, mas olvida que ele próprio é Natureza.
Quando acossado, o Homem é capaz das maiores barbaridades, em nada diferindo da mais comum das bestas.
E voltamos ao capitalismo.
Quando o conto de fadas desaba, quando o bolso é mais portão de saída que porta de entrada, quando a realidade se prepara para ir mais longe que a ficção, rasgam-se os tratados, pisam-se as teorias, ultrapassam-se as regulamentações e enganam-se os reguladores.
É a selva.
A Natureza em todo o seu esplendor.
Os mais fortes alimentam-se do suor dos mais fracos.
E comem com as mãos como se nunca tivessem deixado de o fazer!

Filosofia

(Imagem gentilmente cedida por A.P. Costa)

"A cerveja é a prova que Deus nos ama e quer que sejamos felizes" Benjamin Franklin

"Recomendo pão, carne, legumes e cerveja"
Sófocles (dieta moderada)

"Sem dúvida que a maior invenção da Humanidade foi a cerveja. Claro que a roda também foi uma grande invenção, mas não acompanha tão bem com pizza"
Dave Berry

"Nem todos os químicos são maus. Sem químicos como o hidrogénio e o oxigénio, por exemplo, não seria possível termos água, um ingrediente vital da cerveja"
Dave Berry

"Houve uma mulher que me levou à bebida e eu nem tive a decência de lhe agradecer"
W.C. Fields

"Eis a cevada, um cereal que qualquer idiota pode comer, mas para aqueles a quem o Senhor destinou um consumo mais divino, eis a cerveja!"
Frei Tuck (Robin Hood)

"Dêem-me uma mulher que adore cerveja e eu conquistarei o mundo"
Guilherme (Kaiser)

"Qualquer país que se preze precisa de uma marca de cerveja e de uma companhia aérea. Também pode ter uma selecção de futebol ou armas nucleares, mas a cerveja é imprescindível"
Frank Zappa

sábado, 1 de novembro de 2008

Cômispilika?

Morreu esta madrugada, tinha setenta e cinco anos e em tempos fez-me rir. Hoje, se calhar, já não o faria, mas todos nós devemos acarinhar as nossas memórias porque é nelas que se alicerça a personalidade.
Pode não ter sido um grande cómico, mas teve o seu tempo, teve o seu encanto, deixou a sua marca e, acima de tudo, não trouxe mal ao mundo. Desapareceu, mas curiosamente não esqueceu. Se calhar teve mais importância que aquela que teimamos em não lhe conceder.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Socialismo pré Socrático


Clement Attlee, membro do Partido Trabalhista inglês, era o principal adversário e antagonista do governo de Winston Churchill. Acabaria inclusivamente por derrotá-lo tempos depois.
Os dois líderes frequentavam o mesmo mictório no Parlamento Inglês e, sempre que Churchill entrava no local e se deparava com Attlee, corria e trancava-se numa cabine individual.
Aborrecido com a situação que já se tinha repetido algumas vezes, um dia Attlee agarrou Churchill pelo casaco e perguntou:
-Winston! Somos apenas adversários políticos. Não há inimizade pessoal. Eu admiro-o e as nossas famílias privam habitualmente. Como consegue ser tão rude comigo?
Respondeu Churchill de imediato:
-Somos amigos pessoais, é verdade, mas no mictório não quero conversa, porque vocês socialistas, quando vêem uma coisa grande e que funciona bem, querem logo nacionalizá-la!

:) :) :)


A recordação mais antiga que tenho da televisão é este anúncio.

Este fim de semana não há blogue

Tenho que deslocar-me a Lisboa, ao cemitério dos Prazeres, para homenagear os mortos.
Como o cemitério é enorme, vou já amanhã e só venho Domingo à noite.
Vou sozinho, em introspecção, porque há alturas do ano em que temos de nos entregar à dor...



terça-feira, 28 de outubro de 2008

Info-exclusão, a praga do sec XXI


-Ó mãe!
-Sim meu lindo.
-Eu queria um Magalhães.
-Para quê minha flor?
-Para ir para a escola.
-E não podes ir de autocarro como os outros meninos?

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Nem sempre, meu caro Walt, nem sempre...

"Um charuto tem geralmente uma chama fumarenta numa ponta e um janota cintilante na outra"
Walt Whitman

Se fosse um quadro chamar-lhe-ia Outono!

(Pedro Costa- Parque Dr Manuel Braga - Nokia N70)
Maravilhosos aparelhos os deste maravilhoso mundo novo que conseguem falar, ouvir, tirar fotos e privilegiar-nos com o Miles Davis a tocar o "My Funny Valentine" em privado. Tudo ao mesmo tempo e sem hesitações.
Estamos encantados e somos privilegiados.
Nunca fomos tão auto-suficientes como hoje.
Um assombro que nos permite todo o tipo de estravagâncias.
E comunicamos - nunca comunicámos tanto.
Tanta experiência trocada, tanto sussurro espalhado pelo mundo inteiro, tanta vida partilhada. Quantas saudades terão os nossos antepassados de não viverem no nosso tempo: saudades do futuro!

Katie

A Terra não é nossa, foi-nos apenas confiada pelos nossos descendentes.

(Video enviado pela minha amiga Filipa Varela)

sábado, 25 de outubro de 2008

O Casimiro e as termas


Estimado ouvinte, já que agora estou consigo
Peço apenas dois minutos de atenção
É pra contar a história de um amigo
Casimiro Baltazar da Conceição
O Casimiro, talvez você não conheça
a aldeia donde ele vinha nem vem no mapa
mas lá no burgo, por incrível que pareça
era, mais famoso que no Vaticano o Papa
O Casimiro era assim como um vidente
tinha um olho mesmo no meio da testa
isto pra lá dos outros dois é evidente
por isso façamos que ia dormir a sesta
Ficava de olho aberto
via as coisas de perto
que é uma maneira de melhor pensar
via o que estava mal e como é natural
tentava sempre não se deixar enganar
(e dizia ele com os seus botões:)
Cuidado, Casimiro
cuidado com as imitações
Cuidado, minha gente
Cuidado justamente com as imitações
Lá na aldeia havia um homem que mandava
toda a gente, um por um, por-se na bicha
e votar nele e se votassem lá lhes dava
um bacalhau, um pão-de-ló, uma salsicha
E prometeu que construía um hospital
Uma escola e prédios de habitação
e uma capela maior que uma catedral
pelo menos a julgar pela descrição
Mas... O Casimiro que era fino do ouvido
tinha as orelhas equipadas com radar
ouvia o tipo muito sério e comedido
mas lá por dentro com o rabinho a dar, a dar
E... punha o ouvido atento
via as coisas por dentro
que é uma maneira de melhor pensar
via o que estava mal e como é natural
tentava sempre não se deixar enganar
(e dizia ele com os seus botões:)
Cuidado, Casimiro
cuidado com as imitações
Cuidado, minha gente
Cuidado justamente com as imitações
Ora o tal tipo que morava lá na aldeia
estava doido, já se vê, com o Casimiro
de cada vez que sorria à plateia
lá se lhe viam os dentes de vampiro
De forma que pra comprar o Casimiro
em vez do insulto, do boicote, da ameaça
disse-lhe: Sabe que no fundo o admiro
Vou erguer-lhe uma estátua aqui na praça
Mas... O Casimiro que era tudo menos burro
tinha um nariz que parecia um elefante
sentiu logo que aquilo cheirava a esturro
ser honesto não é só ser bem falante
A moral deste conto vou resumi-la e pronto
cada qual faz o que melhor pensar
Não é preciso ser
Casimiro pra ter
sempre cuidado pra não se deixar levar.

Sergio Godinho (Album Campolide 1979)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Red Shoes

Mimos

Os dias são cada vez mais curtos para a enormidade de coisas que temos para fazer. Seria pertinente que a evolução nos permitisse conseguir ter necessidade de menos horas de sono com o fito de libertar tempo para aquilo que é mesmo importante. O tempo é o bem mais escasso do nosso quotidiano.
Só que o tempo não estica e por essa inadaptabilidade da natureza aos tempos modernos, temos que pagar o nosso tributo em cafés todos os dias. Em cafés e em saúde (esta última na sua definição mais lata: bem-estar). Quem tem uma vida "comum", não consegue deitar cedo mas obriga-se a cedo erguer. São as tarefas diárias que começam de noite e terminam de noite e mesmo assim fica sempre algo por fazer nesta recorrente procrastinação que é a nossa vida: amanhã faço isto, amanhã faço aquilo, tenho que arrumar isto, tenho que organizar estas fotos, tenho que escrever isto, tenho que preencher aquilo, tenho, tenho, tenho...
Até que um dia estamos velhos e tudo o resto fica para segundo plano. As prioridades baralham-se porque passamos a ter tempo, mas já não conseguimos fazer o que ficou para trás. E vem a solidão, vem a depressão, o abandono... Os filhos que nós despejámos no ATL acham normal despejarem-nos no asilo ou simplesmente abandonarem-nos à nossa sorte. Nós sabemos o que lhes fizemos e não os criticamos, antes damos-lhes razão! A nossa função de pais é muito maior que proporcionar instrução e conforto material. As palavras educação, amor e entrega entram nessa equação, mas a seu tempo teremos oportunidade de saber se as usámos.
Daqui a trinta anos, Portugal terá cerca de um milhão e meio de idosos. Com o decréscimo da nossa população isso correponderá a próximo de vinte por cento do total dos habitantes do país. E porque a medicina e os cuidados preventivos serão cada vez mais eficazes, teremos velhotes para lavar e durar. Pessoas activas e saudáveis que não se renderão facilmente a uma qualquer instituição onde os encostam semi-atordoados com barbitúricos para que comam a sopa sem resmungar. Vamos ter idosos com algum poder de compra, muitos com casa própria, mas vítimas de uma lepra que já todos conhecemos: a solidão. Nas aldeias do interior ainda existe alguma solidariedade pois a população sofre toda do mesmo mal e quando somos todos iguais, amparamo-nos. Nas cidades tem sido feito algum esforço por parte das Juntas de Freguesia e até por algum policiamento de proximidade que mais não podem fazer que bater ao postigo e ver se há resposta: sempre é melhor que esperar pelo cheiro para arrombar a porta...
Lado a lado é um projecto de Acção Social da Associação Académica de Coimbra apresentado esta semana. Não sei se é pioneiro, para mim é. Pioneiro e muito interessante.
Em traços gerais, a A.A.C. pretende mediar a oferta de alojamento a preços realmente simbólicos ou mesmo gratuito a estudantes com dificuldades financeiras em troco de algum apoio a idosos solitários. O alojamento pode ser em casa dos idosos ou, na impossibilidade, numa I.P.S.S. (têm já a colaboração de pelo menos um centro social de bairro) que ceda as instalações. O apoio reveste-se de gestos tão simples como ir à farmácia, ir pagar a conta da luz, acompanhar o idoso ao médico, fazer um bocadinho de companhia caso vivam na mesma casa ou comprometer-se a visitá-lo pelo menos uma vez por dia. Tudo acompanhado de muito perto pelos serviços sociais da Academia com garantias de preservação da identidade e da privacidade de cada uma das partes.
Torço para que tenham sucesso.
Por todas as razões e acima de tudo por uma: isto é uma lição de cidadania. E neste momento, onde os portugueses mais estão deficitários é precisamente na cidadania.
Pode parecer pouco, mas como disse um chinês famoso (não foi o Mao Tse Tung) - "Mesmo uma caminhada de mil quilómetros começa com um passo".

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Noventa e um parabéns

(Júlio Resende - Divertimento)

Momento Monty Python

No país dos matraquilhos discute-se o orçamento.
Vai iniciar-se um ciclo eleitoral com três actos eleitorais seguidos.
De repente aparece uma ligeira alteração numa lei que tem a ver remotamente com o financiamento dos partidos.
Coisa pouca a alteração. Coisa muita, suspeita-se, o resultado. E transversal!
Quase que nem se dava por ela, pela alteração.
Mas deu-se.
Bollocks!

Dire quê?


Mark Knopfler confirmou que um regresso dos Dire Straits está fora de questão.
Se for verdade é bom, se for mentira é bom também!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Momento Super Bock

Se no próximo dia 1 estiver calor vai fazer um jeitaço para dar de beber à dor.
Com sorte pode ser que escorra alguma para as profundezas.
Ou será que o barril tem ligação directa às "Terras do Demo"?