
Para começar, capemos os argumentos eleitorais pela raíz.
Segundo a Comissão Nacional de Eleições, são estes os números do incumprimento da lei da paridade para as próximas eleições autárquicas:
-5 listas do CDS
-2 listas do BE
-11 listas do PS
-3 listas do PSD
-20 listas da CDU
-1 lista do PSD + CDS
Em matéria de legalidade, ninguém se pode rir.
Aqui há atrasado (deliciosa, esta expressão popular do Porto), escrevi por estes lados que tinha opinião própria sobre a lei da paridade, mas que isso não me dava o direito de não respeitar a lei.
Mantenho a perspectiva: a lei é para se cumprir.
Esta lei da paridade não é má nem boa: esta lei não deveria sequer existir.
Legislou-se deste modo porque alguém, provavelmente uma mulher daquelas que deixam crescer os cabelos do sovaco, cultivam o buço e fumam cachimbo, num dia em que terá acordado mais mal humorada que o costume, provavelmente se lembrou que as mulheres gostariam de ser iguais aos homens.
Acontece que as mulheres não querem ser iguais aos homens, as mulheres não são iguais aos homens e as mulheres consideram até (e com razão) que quando forem iguais aos homens, terão sofrido um irreversível retrocesso civilazional.
As mulheres querem somente que lhes sejam reconhecidas as diferenças apenas como diferenças e não como defeitos, que tudo o que é igual seja tratado de forma igualitária e que tudo o que é diferente seja tratado de forma diferenciada.
Não é pedir muito.
Com a lei da paridade, as mulheres têm sobre elas uma espada com a seguinte inscrição: "há uma lei que regula a tua presença neste grupo, se a coisa correr bem diremos que é por mérito próprio, se a coisa correr mal diremos que foi para cumprir a quota." Define-se como correr bem, o facto da mulher fazer o que os homens esperam que ela faça: alguns que esteja calada, alguns que nem sequer tome posse...