terça-feira, 30 de setembro de 2008

The policy of the politics

Em português, policy e politics traduzem -se pela mesma palavra (política), embora o seu significado seja completamente diferente.
Policy quer dizer conjunto de procedimentos instituídos (é política da empresa...) e politics quer dizer política no sentido mais lato da palavra.
Mesmo com o mundo a desabar em seu redor, os profissionais da política (politics) nunca se esquecem que existe uma política (policy) a seguir: ganhar a qualquer custo.
Com as eleições à porta, os políticos americanos deixaram de ver a realidade como nós a conhecemos e passaram a ver a realidade eleitoral.
Nesta altura do campeonato, ser qualquer coisa que se pareça com próximo de George W. Bush, é pior que ter lepra. Há eleições para ganhar daqui a meia dúzia de semanas e palavras como crise económica, colapso, recessão, são termos que só ficam bem colados às costas do actual presidente e da actual administração.
Os Repúblicanos querem dar a entender que nunca apreciaram o homem que puseram no poder duas vezes seguidas (sempre de forma "estranha") e os Democratas querem cavalgar a onda e passar entre os pingos de uma chuva que diz que muitas das leis que permitiram tudo isto foram aprovadas durante a administração Clinton.
Neste particular, a América não tem inocentes para mostrar. Tinha um plano ao qual alguém ousou chamar comunista e isso foi suficiente para deixar de ser plano.
Quem se ri é o Chavez, o Morales e o Lula. E desta vez têm razão.
Não que o capitalismo esteja moribundo porque o capitalismo é a essência da sobrevivência e como não foi inventado há-de reinventar-se e fortalecer-se.
O capitalismo não está moribundo, apenas ferido, mas a América está de joelhos e isso, por muito que nos possa custar dizer, não é nada bom.
Para ninguém...

Como nos bancos já não há dinheiro...

"Toxicodependente assalta PJ.
O individuo de 31 anos escalou o edifício da Direcção Central de Combate ao Banditismo e roubou computadores e uma arma de fogo, tendo sido detido em seguida. "

Expresso online

domingo, 28 de setembro de 2008

"E nunca se esqueça de usar protector solar"

"Meninas"

O Sporting levou duas secas na Luz.
É uma vergonha, fomos roubados. Jamais concordarei com o resultado porque essa deve ser a primeira condição do verdadeiro adepto (e eu nem sou dos mais fervorosos).
Para o verdadeiro adepto (torcedor em brasileiro e, se calhar, segundo o novo acordo), o clube pertence ao coração e ganha sempre bem do mesmo modo que perde sempre mal e acima de tudo, espoliado.
Ao verdadeiro adepto, deve ser sempre possível ver o jogo a preto e branco (ou verde e branco ou vermelho e branco ou azul e branco): de um lado nós, do outro o inimigo e, pelo meio, um homem de negro que personifica o Mal!
O adepto deve pôr no seu clube, e em cada jogo, toda a sanha, toda a paixão irracional que lhe brota do peito para assim ficar equilibrado com o cinzento reprimido do dia a dia.
O apito final é a catarse do adepto e o comentário mera reminiscência da paixão.
Na conferência de imprensa, Paulo Bento diz que o Benfica foi um justo vencedor, pena que tenha sido por tantos.
Na conferência de imprensa, Quique Flores diz que não foi nada justo vencedor porque na primeira parte a coisa esteve tremida.
De repente, se um extraterrestre aterrasse no estádio da Luz (para acabar de pintar aquilo, ou melhor para arrasar o trambolho), ficaria sem saber quem é o treinador de quem.
O mundo anda estranho...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

O Eco da cultura


O grupo de teatro Fatias de Cá, de Tomar, vai retomar a representação da sua adaptação da obra de Umberto Eco, "O nome da Rosa".
O cenário será, mais uma vez, o Convento de Cristo, cenário esplendido!
Para quem não sabe, os Fatias de Cá têm uma forma muito interessante de representar que inclui uma grande interacção com o público, parte integrante do espectáculo e não mero espectador da peça.
No final há paparoca para todos.
Quem quiser saber mais vá a www.fatiasdeca.net

Chico & Caetano juntos e ao vivo



Uma pequeníssima amostra de um dos maiores albuns da música popular brasileira. Competiu com o disco da Elis ao vivo no festival de jazz de Montreux como banda sonora daquele que foi provavelmente o Verão mais alucinante da minha vida. No Porto, em 1988.
Conheci gente tão fascinante como um médico que me extraiu uma espinha da garganta e me mandou ir beber uma caneca de cerveja para tirar as dores -ensinamento que me ficou para a vida- ou como um bêbado, tão bêbado, que nos bateu no carro de motorizada e adormeceu em cima do capot. Até de manhã...
Sempre em parelha com o meu amigo Marco que me carregava para casa nos dias impares enquanto eu o carregava nos dias pares. O Marco zangou-se com a vida e já partiu (de mote próprio) em busca do paraíso que nunca conseguiu encontrar cá pelo planeta.
Desejo que esteja finalmente em paz.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Rometa & Julieu


A escola está cada vez mais aberta à comunidade.
Tem sido feito um grande esforço no sentido de chamar ao convívio em ambiente escolar os parentes mais próximos dos alunos, com o intuito de promover uma frutífera sinergia entre ambos: família e escola. Festas, aberturas solenes de aulas, croquetes e bussaquinas.
Nos dias de hoje esta aproximação permite, além de todas as outras vantagens, um extra de suprema importância para quem quer acompanhar as novas tendências. Uma relação bilateral que por um lado permite à escola identificar in loco a proveniência de algumas das taras que os meninos transportam consigo e por outro lado permite aos progenitores mais afoitos ficarem a conhecer quais os caminhos que terão de percorrer quando resolverem deslocar-se à escola para dar um par de lambadas a algum professor mais rígido e arreigado às chamadas regras do antigamente, vulgo educação.
Esta intimidade transporta consigo alguns riscos. O pessoal (família) tende a esquecer-se que é apenas convidado da escola, tende a esquecer-se que a escola é autónoma em praticamente todos os seus procedimentos e tende principalmente a esquecer-se que a vida em comunidade, por vezes, acarreta cedências. Manda o bom senso que quanto mais cedo os meninos tiverem acesso a essas realidades, mais facilmente se integram na sociedade. Nem o Senhor de La Palisse diria melhor!
Constou-me que corre neste momento um braço de ferro entre uma das escolas do primeiro ciclo do concelho da Mealhada e o diligente encarregado de educação de uma menina que começou agora a frequentar o primeiro ano. Parece que a menina foi colocada numa turma diferente de um colega que a acompanha, alegadamente, desde o berço e por quem nutre uma grande afeição. Ao que consta, a dilacerante separação terá ocorrido por acaso e não por qualquer outra razão de cariz mais intrincado. Mesmo assim, as duas crianças continuam na mesma escola e nada as impede de, na hora e no espaço próprios para o efeito, poderem continuar a conviver como sempre o fizeram e lhes assiste o direito. A escola não deu procedência ao pedido (pelo menos por agora, suspeito).
Mas o encarregado de educação não desarmou nos seus intentos e, alegadamente, terá apresentado em desespero e como argumento último o facto de os pirralhos serem namorados praticamente desde que nasceram.
Assume-se então que, para esta personagem de opereta (que eu não faço a mínima ideia quem seja), mais do que poderem trocar olhares lascivos e fugazes palavras apaixonadas no devassado espaço do recreio, deve ser assegurado aos nubentes o recato da sala de aula (preferencialmente em cadeiras contíguas) para fazerem florescer o que de mais lindo existe no mundo: o Amor.
É bem…mas ridículo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Greco 1967 (Grand Cru)

Redacção


Eu gosto do Outono. No Outono os dias começam a ficar mais pequenos e de manhã está frio. O Outono é a estação das colheitas. Começam a cair as primeiras chuvas e as andorinhas vão-se embora em busca de um clima mais ameno. No Outono começa a escola.
E sabem o que me trouxe o Outono? Sabem?
Tão certo como o dia seguir a noite, tão certo como a noite seguir o dia, o Outono trouxe-me, hoje mesmo, e pela última vez (diz ele, espero que minta), o meu amigo Professor Vladimir Vondrak que veio desde a República Checa com um caixote de garrafas de meio litro de Kosel debaixo do braço, a cerveja de contornos bíblicos.
Se não contasse isto, rebentava!

Ó tonno mio...


O tom do teu chegar
Raspa mansinho os sois
Poentes de vermelho vivos.
Ocres de lábios carnudos, sumarentas horas.
D'entre as árvores de lúcidos prantos,
Desfilam naturezas mortas
E pinturas em tom de Terra,
Choram bátegas de paixão…
Ondas de aves indolentes
Trepam o horizonte ao céu
Buscando no infinito a vida.
Odes e cantigas
E quietas melancolias
Fundas, secas, vãs e frias
Frutas maduras, brisas esguias…
Às despedidas ocas, muitas vazias
De fulgores e paixões adormecidas
Errantes
Fugidias e bacantes,
Eternas refugiadas
Do denso calor do Verão.
Anónimo, sec XXI

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Bom fim de semana para vocês tambem


É mesmo Hanna Schygulla, a menina bonita de Fassbinder, que completa com Dame Helen Mirren, o par de actrizes mais talentoso do cinema europeu.

O IC19 em hora de ponta

Robert Kubica e Felipe Massa no GP do Japão

(video enviado pelo meu amigo Luis Carlos)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Coltrane Vanilla Ice (or not)



Este lusco-fusco de final de Verão em que de manhã está frio, à tarde calor e à noite humidade é a antecâmara da Estação da Produção. Aquela Estação do colorido único, dos entardeceres com pose de postal e daquelas manhãs rijas em que apetece tomar um cafézinho numa esplanada com um agasalho ligeiro.
Habitualmente salivo de antecipação pelo Outono. É superior a mim!
No Outono usa-se o meio termo. O dia é errante e tanto pode ser quente como frio. É o mistério da vida a palpitar.
Vodka.
O mais puro dos espirituosos.
A bebida base do Outono.
Pura e cristalina como a água gélida das nascentes.
Vodka de baunilha, café e chantilly...
E umas raspas de chocolate.
Depois do almoço para aconchegar.
Se estiver calor, será de bom tom tirar uma bica antes do almoço, açucará-la convenientemente (um pouco mais que a dose) e deixá-la a descansar. No final do repasto coloca-se gelo no shaker, o café já frio, um bom trago de vodka de baunilha (aromatizada com) e uma esguichadela generosa de chantilly em spray. Bate-se o shaker e serve-se numa taça de cocktail previamente gelada. Para decorar, raspa-se com uma faca um bocadinho de chocolate em tablete.
Se estiver frio, tira-se a bica no final do almoço, adoça-se como anteriormente e verte-se para um copo pequeno e resistente entretanto aquecido com água. Vodka por cima e finaliza-se com o chantilly em forma de artistica poia mailas raspas de chocolate. As quantidades são à vontade do freguês e afinam-se com a experiência (não convem treinar muitos no mesmo dia).
Este paleio todo porque comprei uma garrafa de vodka de baunilha para experimentar e descobri que só se consegue beber simples (não aprecio) ou nos preparos acima descritos.
Enaltecido com um Romeo y Julieta Mille Fleurs, não há tarde que me tire do sofá.
Entretanto, e porque nada se deve estragar, é bem comer-se o resto do chocolate.
E ouvir o Coltrane porque faz bem ao intelecto; torna-nos espertos!

A grandeza do inevitável

O Parque Nacional Yellowstone, nos Estados Unidos, está situado sobre um lago de lava com sessenta quilómetros de comprimento por quarenta quilómetros de largura, o que faz dele um dos maiores vulcões do mundo. Está teoricamente adormecido, mas bufa diariamente milhões de metros cúbicos de vapor e de água quente em centenas de geisers imponentes.
Segundo os cientistas, se entrasse em erupção cobriria toda a atmosfera terrestre com um manto de poeira suficientemente densa e perene para criar um Inverno Nuclear de vários anos. Os
suficientes para simplesmente extinguir, se não todas, pelo menos a grande maioria das formas de vida da face da Terra.
Tudo indica que, ao longo da sua já provecta idade, terá entrado em erupção de forma mais ou menos ritmada, de sessenta em sessenta milhões de anos.
Pelos cálculos existentes, a próxima erupção já deveria ter acontecido há cinquenta mil anos, que é o mesmo que dizer que a vida na Terra já deve pelo menos cinquenta mil anos à cova.
Não sei se é da idade, mas cada vez admiro mais estas pequenas grandezas do mundo que nos rodeia e que não dependem de nós absolutamente para nada.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Ozzy

A função social

-Já o mantivemos na empresa durante quase um ano depois de se reformar. Temos que o substituir.
-O homem recebe quarenta contos de reforma e tem um filho com quinze anos para criar. Deixe-o ficar mais uns tempos.
-Tu sabes que isto não é a Santa Casa...
-Mas ele também só é vosso empregado durante a semana e eu lembro-me de o ver muita vez a trabalhar para o seu paizinho e para o seu tio ao fim de semana. Nunca virou a cara ao trabalho. Ou já se esqueceu das vezes que ele o foi levar a Coimbra de madrugada às aulas.
-Vou pensar no assunto...
Este diálogo é verídico. Foi-me contado por um dos dois intervenientes há cerca de vinte anos.
O reformado ainda é vivo. Trabalhou mais meia duzia de anos, sempre competente e disponível, e acabou de criar o filho que é hoje um pai de familia.
O gestor era por essa altura um rapaz inexperiente e inseguro com uma empresa nas mãos e sentia diariamente o nascer das tensões naturais entre o que tinha aprendido na Faculdade e uma coisa comezinha mas sempre presente e pesada que se chama realidade. É hoje um administrador de sucesso e a sua empresa uma das sete maiores no seu ramo em Portugal.
O homem que o aconselhou nunca chegou a reformar-se: morreu antes disso, mas trabalhou até ser vencido pela doença.
Penso que o reformado nunca teve conhecimento desta conversa.
Às vezes são pensamentos como estes que nos conseguem abstrair da realidade.
Recordar histórias com nuances de paradigma e finais quase felizes, ajuda-nos a quase compreender a gesto de muitos gestores e técnicos superiores de multinacionais que ultimamente têm engrossado o caudal dos suicídios no mundo dito civilizado.
Tudo em nome de objectivos que não conseguiram passar disso mesmo... apenas objectivos!

domingo, 14 de setembro de 2008

O pior de dois mundos

É notória a aposta do actual governo na formação profissional como um dos métodos mais eficazes para o combate ao abandono escolar e à baixa qualificação dos portugueses. É notório que as escolas estão a aderir em massa. É provável que por este andar, e mercê das facilidades concedidas, um dia destes não haja alunos no ensino dito regular.
Tanta farturinha acabou por levantar algumas questões, muitas delas antigas, acerca do funcionamento da formação profissional.
Na semana passada foram divulgados os resultados de um estudo que, entre algumas coisas bastante interessantes, pôs a nu uma realidade conhecida por quem se move no meio, mas não do domínio do grande público: praticamente não existem manuais adaptados aos cursos de formação profissional.
Se falarmos das chamadas disciplinas técnicas, então pode até tirar-se a palavra "praticamente" da frase.
Como resultado disso, os formadores distribuem textos de apoio na forma de fotocópias de obras de referência, obviamente sem autorização dos autores, comportamento punível pelas leis dos direitos de autor.
Relembro que tudo isto acontece porque não há manuais para as ditas disciplinas.
Só para não nos perdermos do assunto.
Para as disciplinas do ensino dito regular, existem manuais. Para todas!
Segundo um outro estudo feito pela revista Sábado, publicado na sua edição de 11 do corrente e profusamente ilustrado com exemplos práticos comentados por historiadores, sociólogos, professores universitários e outros técnicos de variados quadrantes politico-partidários, os manuais escolares contêm erros (já sabiamos), imprecisões históricas gritantes, visões distorcidas de factos e, ainda mais aterrador, uma notória inclinação para a catequisação dos estudantes. Vão ler que vale a pena.
Resta saber agora o que será pior: fotocópias de obras de referência (ilegais) ou súmulas de ideologia(aparentemente legais)?