domingo, 14 de dezembro de 2008

Querido Pai Natal


"Quanto é que queres pela tua lista das meninas que se portam mal?"

Imigração de luxo


Ao contrário da Alemanha que teimosamente insiste em dizer que a iniciativa privada consegue vencer a crise, o estado português resolveu apoiar a economia.
Portugal foi o primeiro país da Europa a chegar-se à frente para aceitar prisioneiros de Guantanamo.
Como a actual código penal praticamente esvaziou as prisões e como os crimes mais comuns ultimamente envolvem pessoas ilustres que dificilmente irão dentro, saúda-se mais uma boa medida.
Afinal é necessário salvaguardar os postos de trabalho de todos quantos directa ou indirectamente dependem do chamado movimento prisional. As celas vazias são mais um sinal da crise e, neste caso, será a importação e não a exportação a criar fluxos financeiros. Nem Keynes faria melhor.
Fica apenas por explicar, embora não seja importante, se esta transferência é um bonus ou um castigo para os prisioneiros. Em Guantanamo estavam nas Caraíbas, as instalações eram mais modernas e tinham fardas fluorescentes.
A única coisa onde não vão notar diferenças é em relação ao momento em que serão julgados. Tal como em Cuba, também entre nós sabem que vão passar muito tempo à sombra antes de lhes ser feita justiça. E como os americanos provavelmente pagam a estadia à peça, deverão ser julgados ainda mais tarde que os habituais sete ou oito anos.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Do trabalho...


Portugal é um país...lento.
Assim a modos que "slow food", mas de países.
Só isso pode explicar que um assunto que foi falado faz hoje oito dias, ainda hoje seja tema de conversa.
Ricardo Araújo Pereira relembrou hoje na TSF um episódio que se passou quando foi jurado do programa "Dança Comigo" da RTP. No palco, Fred Astaire (Zé Diogo Quintela) e Ginger Rogers (Odete Santos) disputavam a taça para o maior coxo do audiovisual português. Ricardo Araújo Pereira esforçou-se por fazer esquecer a vergonha que se passava na pista de dança e resolveu fazer um comentário acerca de uns deputados que se tinham baldado (acho que cem) a uma qualquer votação uns dias antes.
Odete Santos encheu-se de brios e largou-lhe os cães. Lembro-me perfeitamente que a personagem até espumava. Dias depois, José Pacheco Pereira destratava o rapaz de demagogo para cima.
E porquê falar disso agora?
Pois é.
É que agora há quem ache que os deputados que se baldaram na sexta feira passada deveriam ser irradiados nas próximas eleições.
E quem é que acha isso?
Quem?
José Pacheco Pereira, quem mais?
Agora já não é demagogia!
Mas há mais.
Guilherme Silva, com a lágrima ao canto do olho, chamou a atenção para as degradantes condições em que trabalham os deputados da Nação. Calcule o prezado leitor que os desgraçados só têm dois dias por semana para estarem com a família. Convem encurtar a semana de trabalho para três dias -terça, quarta e quinta- para se baldarem à quinta à tarde.
E que dizer de Zita Seabra que demorou uma semana para arranjar uma justificação para ter assinado o livro de presenças pondo-se em seguida na alheta. Uma semana para descobrir que afinal concorda com a avaliação dos professores.
De hoje a oito dias voltaremos ao tema porque hoje voltou a haver gazeta no Parlamento: uma comissão qualquer do orçamento e finanças começou muito mais tarde -adivinhem porquê- a malta baldou-se!
É o stress do Natal...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Oliveira, mais um Manuel


Dizer aos cem anos que não faz filmes para o público quando é o dinheiro dos impostos do público que lhe permite fazer os filmes, é ser mal agradecido.
A vida tem-lhe sido madrinha.
Parabéns pelos cem anos mas apenas porque hoje ainda é raro comemorarem-se cem anos.
E parabéns pelo Aniki-Bobo: o despertar de uma carreira que podia ter sido brilhante. Assim é apenas longa.
E porque na devida altura me passou, parabéns também para aquela senhora que é tão somente a mais velha do mundo: cento e quinze anos. É portuguesa e tem tido uma vida longa, mas chata: nunca fumou, nunca bebeu alcool, nunca bebeu café e quase garanto que há muito tempo que não faz algumas daquelas coisas boas da vida... quase um vegetal!

Muita merda...


"14 de Maio de 1835. É noite de quinta-feira à entrada da Sala Richelieu, junto ao grandioso Palais-Royal, em Paris, onde enormes cartazes anunciam a peça em cartaz. Trata-se de "Angelo", da autoria do famoso dramaturgo Victor Hugo, estreada há cerca de quinze dias com sucesso junto da crítica e do público. No entanto, as preferências de uma audiência são sempre imprevisíveis, e não é em duas semanas que se pode confirmar o êxito duradouro de uma peça. Mas, a caminho do Palais-Royal, os actores já têm essa certeza quando sentem o odor penetrante dos montículos de excremento espalhados ao longo da estrada. Viram a esquina para o teatro e eis que deparam com filas de belíssimas carruagens e coches, puxadas por dezenas de cavalos de pêlo lustroso à luz de inúmeras lâmpadas de gás... cujo calor intensifica o cheiro nauseabundo das carradas de fezes equestres que minam toda a praça.

O AROMA DO SUCESSO

O fedor é tão pungente que os actores têm de tapar nariz e boca ao atravessarem o pátio. Mas, para eles, é um momento de felicidade. Quanto mais esterco no chão, mais público de alto gabarito está presente e mais lucro a companhia encaixa. Ao longo dos próximos 62 dias em que a peça ficará em cena, a expressão "Merde!" será o voto de boa sorte mais trocado entre os actores desta trupe francesa antes da entrada em palco.Sem dúvida que não foi nesta ocasião que este bizarro voto fecal teve a sua origem, pois já advinha da tradição circense dos tempos medievais, mas o ímpeto cultural do Neoclassicismo francês instaurou definitivamente este costume também em Portugal, não só no teatro, mas igualmente na dança, na música e mesmo no ensino superior. Curiosamente, neste último caso, o voto implantou-se por superstição — quem deseja "muita merda" antes de um exame está a tentar trocar as voltas à sorte, visto que desejar "boa sorte" trará inevitavelmente azar. Mas até nisto o voto tem o seu quê de literal: se o exame foi inesperadamente fácil, afinal aquela merda toda acabou por funcionar. Daí que tenha sido cagativo.

ESPERO MESMO QUE PARTAS UMA PERNA!

Enquanto portugueses e franceses se entretinham com evocações escatológicas, os membros do teatro anglo-saxónico acabariam por trocar votos sinceros de sadismo. A famosa expressão "break a leg" é parte integrante da recente tradição dramática britânica, mas não parece ser tão literal como a nossa expressão equivalente. De facto, não há registo de intérpretes que tenham fracturado a tíbia depois deste desejo, mas imensos houve que fizeram várias vénias perante os aplausos do público no fim da actuação, "quebrando" a postura normal da perna.Então será assim tão simples a explicação da origem desta frase inglesa? É uma das mais óbvias, mas o palco vive de mistérios. Teria afinal nascido da má tradução alemã de um voto de boa sorte judeu? Seria uma referência às pernas das cadeiras partidas quando o público dos tempos de Shakespeare as fazia bater no chão durante os aplausos? Ou até mesmo uma alusão à actriz Sarah Bernhardt, que nem com uma perna amputada deixou de ter sucesso em palco?"

in Dicionário Digital

Estes também têm direito aos royalties do Natal

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O Natal de now


Tristonhas, as caras
Não transbordam o espírito da época.
A correria e o frenesim,
O olhar esgazeado, o esgar
Repulsa pela vida que pulsa,
Pelo pouco que levam no saco.
Não há calor no frio deste inverno tristemente antecipado.
Gelado é o torpor das noticias do futuro.
Não há quem arrisque um sorriso
Um voto de bom natal.
Não há castanhas
Realejos
Música estafadas de séculos
Que ousem animar a alma.
Não há brilho na luz
Sequer luz no ar...
Nem o rosado das faces encostadas à montra
Sem o cheiro dos natais de outrora.
Pouco,
Fugaz,
O brilho do bolo-rei
E o açucar reluzente.
É tudo baço,
Tristemente escasso,
Encontrões e pisadelas
E transportes apinhados
E caras sofridas
E bafos contidos
Vidas amarelas...
É-se triste todo ano, mas no Natal doi mais!

domingo, 7 de dezembro de 2008

Barclay James Harvest


Um grande grupo injustamente esquecido, da estirpe dos Moody Blues e dos Supertramp.
Album "Concert for the people" de 1982, gravado em Berlim (ocidental).
Um album fabuloso que guardo num cantinho da memória.

Morreu Alçada Baptista

Morreu António Alçada Baptista.
Homem de Letras, mais de afectos que de factos, pensador, ensaísta e cronista.
E meu antigo cliente, digo-o com vaidade.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Eis quem nos representa...


Esta tarde quase se fazia história no Parlamento.
A proposta para a suspensão da avaliação dos professores, proposta da oposição, ia passando graças aos votos favoráveis de seis deputados do PS.
Mas não passou!
E porquê?
Porque trinta e tal deputados, dos quais trinta do PSD, foram de fim de semana prolongado mais cedo. Mainada!

Pedacinhos do paraíso


A primeira trincadela dá-se a medo. São grandes como nozes de caramelo, brilhantes como vidro. Teme-se pelos dentes...
Sem esforço a casca cede e por dentro, seda. Seda de ovo tecida. Trabalhada pelo saber secular, mister monástico e guloso como o mais pecador dos pecados.
Ovo, açucar e sabedoria. Basta!
Eu compro-os em Coimbra na Dom Vinho (junto à Makro).
Latinhas de 6, 12 ou 18 rebuçados embrulhados em papel ligeiramente acetinado.
Tradição e modernidade de mãos dadas - afinal é possível, mais que isso, muito bom!
Uma soberba prenda de Natal. Só para aqueles de quem realmente gostamos.
Descubra o resto em http://www.rebucado.com/.


Natal é paz e harmonia ou "Desde que vi um porco a andar de bicicleta"...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Natal 1 - Os protagonistas

O maior desafio


Hoje é o Dia Mundial da Luta Contra a Sida.
Dezasseis por cento do continente africano está infectado com o HIV.
Assiste-se hoje a um êxodo sem precedentes na história da humanidade. Foge-se da Africa à frente da fome e da guerra e foge-se para a África em busca dos recursos dos países mais ricos.
Está lactente uma nova disseminação do virus que nenhuma campanha de prevenção conseguirá enfrentar.
Se não for encontrada uma cura, o cenário pode ser catastrófico.
Quem sou eu para o afirmar? Ninguém! Mas a Organização Mundial de Saúde é.

Re-Independência


Por razões mais que óbvias, hoje não é feriado em Espanha. Neste dia, mas em 1640, explicámos uma vez mais aos Castelhanos onde era a fronteira. Hoje não há fronteira, mas aos actuais Castelhanos basta-lhes terem tomado conta da nossa economia. Não demonstram querer, nem precisam, de pegar em armas para nos dominarem.
Há um bom punhado de anos, estava eu em Bilbao a almoçar precisamente no dia de hoje quando, numa mesa onde os espanhois dominavam numa proporção de mais de cinco para um, resolvi arriscar e puxei o assunto à conversa.
Surpresa.
Nos livros de História espanhóis fala-se da Restauração da Independência. Dizem eles que facilitaram muito, o que se calhar é capaz de nem ser mentira. Nós temos um bocado o hábito de exagerar os nossos feitos e tenho para mim que os Felipes já andavam um bocado fartos disto. Dificilmente o saberemos com exactidão.
O mais interessante foi, no entanto, a reacção dos Bascos que se encontravam na mesa. Soltou-se-lhes a exaltação do feito e até uma pontinha de inveja por nós termos feito aos Castelhanos há mais de quatrocentos e cinquenta anos o que eles, Bascos, até hoje ainda não conseguiram fazer. Aconteceram ali momentos de implícita conspiração. No Pais Basco não é prudente contrariar estes momentos de conspiração: os grafittis e os caixotes de lixo incendiados todas as noites nunca nos deixam esquecer onde estamos.

domingo, 30 de novembro de 2008

O Carnaval tambem leva a mal 2


Pelos comentários que o post anterior suscitou, deu para ver o interesse do assunto: nenhum!
Mas eu insisto, quanto mais não seja porque está a chover e porque não gostei da troca de galhardetes que gerou o post anterior.
Se o assunto era a suposta conotação entre o PSD e a ACB, o jornalista do JN foi questionar o Gonçalo Breda Marques porquê? O Gonçalo não pertence à Comissão Política do PSD, tão pouco tem neste momento a confiança política do partido e, que eu saiba, o Gonçalo nunca pertenceu à ACB. Aliás, enquanto vereador (ainda com confiança política) consta-me que apoiou a ideia da auditoria às contas da ACB, ele e os outros vereadores do PSD.
O Gonçalo garantiu-me que o JN o abordou nesses termos e que ele rejeitou liminarmente qualquer conotação entre as duas coisas. Ficou até surpreendido por o JN ter insistido na suposta conotação e por o ter escrito. Acredito que o tenha feito, mas deveria ter feito mais: deveria ter-se demarcado de forma assertiva desse assunto e deveria ter enviado o jornalista à sede do PSD para mais informações. Poderia ter estado melhor, mas como lhe estenderam o palco, não resistiu. Assim, mesmo sem querer, alimentou a cusquice.
Estranho que a comissão política do PSD não tenha ainda feito qualquer demarcação deste assunto.
Se calhar é por ser fim de semana prolongado.
É público que a opinião do orgão acerca da auditoria sofreu flutuações ao longo do tempo, mas é tambem clara a importância das declarações do seu presidente no despoletar de todo o processo.
Digamos que está tudo um bocadinho "em cima do muro".
O Carnaval da Mealhada é muito mais importante que estas tricas e a sua organização não se resume à malta que, alegadamente, "se vai divertir para o Brasil".
Se a Câmara Municipal da Mealhada resolver tomar em mãos a realização do evento em moldes que possam ajudar o desenvolvimento turístico do nosso concelho, acho uma excelente ideia, podem contar com a minha colaboração, obviamente desinteressada.
Primeiro porque não acho piada nenhuma ao evento o que tornaria a minha modesta suposta colaboração em puro serviço público.
Segundo porque detesto andar de avião.
Terceiro porque não tenho qualquer fascínio pelo Brasil e, que eu saiba, não está prevista a compra de lantejoulas em Nova Iorque ou em Amesterdão.
Claro que a ideia da conotação entre a ACB e o PSD pode ter sido apenas alucinação do jornalista.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O carnaval também leva a mal


A Associação do Carnaval da Bairrada está a ser investigada - é público.
Trata-se de uma associação da nossa terra que merece respeito pelo trabalho desenvolvido e precisamente porque fazem e fizeram parte dessa associação pessoas muito respeitáveis, é imperativo que se apurem responsabilidades, que se reponha a legalidade e que se parta para o futuro de uma forma limpa e escorreita.
Andar a pôr "merda na ventoinha" não ajuda em nada o processo.
Não sei se por descuido, falta de informação ou deliberadamente, o Jornal de Noticias de hoje, na sua pagina 21, "planta" conotações entre a Associação do Carnaval da Bairrada e um partido político.
Parece-me a mim que a coisa já está suficientemente complicada assim. Não é necessário misturar-lhe a política.
Pelos corpos directivos da ACB já passaram pessoas dos quadrantes políticos mais representativos do nosso concelho e todas essas pessoas têm direito ao seu bom nome e à presunção da sua inocência.
Um bocadinho de bom senso não faz mal a ninguém, pelo menos por enquanto!