terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Lídére


O Lidl foi uma coisa boa que nos aconteceu.
Não só o da Mealhada, mas todos.
O conceito em si.
Não é apenas uma questão de preços.
Cada loja pode ser considerada como um "case study". A gama de produtos adapta-se ao local onde a loja está implementada (na Mealhada desapareceram, por exemplo, os vinhos estrangeiros) e todas as semanas há promoções de produtos não habituais, alguns completamente fora de contexto: se pegarem, ficam por cá.
Pelo meio temos os clássicos como as tabletes de chocolate por pouco mais de trinta centimos, o presunto ou as melhores bolachas Maria do mundo. Até os bombons de cereja, acho eu, são melhores e muito mais baratos que os Mon Cheri. Em tempos tiveram queijo parmesão à fatia a preços muito simpáticos: infelizmente desapareceu tão rapidamente como tinha chegado - pena!
Episódicamente vão aparecendo produtos não alimentares, alguns de altíssima qualidade, muitos garantidos pela TÜV, entidade que certifica a qualidade na Alemanha.
Esta semana estiveram em alta os produtos alimentares asiáticos: molhos, temperos, sopas, crackers de camarão, espetadinhas, pastas, pratos congelados, saladas, refeições enlatadas, gelados de sabores tão delicados como rosa, os misteriosos bolinhos da sorte que lêem a sina em alemão e inglês e os sempre fiáveis spring rolls.
Rolinhos de crepe com recheios de legumes para fritar até ficarem crocantes.
De entre toda a variedade, desta vez optei pelos mini rolls. Vinte em cada caixinha, do tamanho de dedos polegares por pouco mais de dois euros a caixa.
Três de cada vez no prato dourador do micro ondas, dois minutos até ficarem lourinhos, uma tacinha de molho de soja para molhar, uma cervejinha, os som dos Bossa Nossa (um projecto de brasileiros que canta exitos recentes da musica portuguesa em ritmo de bossa nova) e não me lembro de nenhuma maneira mais apropriada para saudar estes pores de sol que nos têm visitado nos ultimos dias.
Verdadeira gastronomia de fusão: crepes chineses trazidos por alemães, molho tailandês, cerveja checa e musica portuguesa cantada por brasileiros por oposição aos ecos do sambódoromo Luis Marques onde se ouvia em fim de festa música brasileira cantada por portugueses.
Pareceu-me que em questões carnavalescas a coisa correu melhor hoje que no Domingo.
Fico contente por eles.
Sinceramente!




Agradar ao chefe ou já chegámos à "Beneçuela"?



"A Procuradoria-Geral da República enviou o caso dos discursos do primeiro-ministro nos concursos do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) para o Tribunal Central Administrativo Sul, soube o DN.
Por determinação do próprio Fernando Pinto Monteiro, o processo número 10/2009 - L115 vai analisar o facto de o organismo público, na tutela directa do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, ter aberto concursos de promoção para o preenchimento de dezenas de vagas de técnicos superiores em que os candidatos deviam estudar um texto de José Sócrates sobre a iniciativa governamental "Novas Oportunidades".
O caso, revelado em primeira mão pelo DN nas edições de 10 e de 12 de Janeiro, continua a agitar as hostes do IEFP.
Na semana passada, no dia 17, o Sindicato Nacional dos Técnicos de Emprego (SNTE) escreveu uma carta a Francisco Madelino, presidente do Conselho Directivo do IEFP, a questioná-lo sobre a manutenção do referido discurso de José Sócrates entre a documentação recomendada para a prova escrita de conhecimentos nos concursos de promoção dos técninos superiores.
A direcção do SNTE considerou desta forma a atitude: "O acto inqualificável - e intocado, convém sublinhá-lo - de reciclar um discurso do actual primeiro-ministro na documentação, matéria que, inclusive, foi já objecto de debate parlamentar."
Paulo Portas, presidente do CDS/PP, levantou a questão num dos últimos debates quinzenais com o primeiro-ministro na Assembleia da República.
Na carta a Francisco Madelino, à qual o DN teve acesso, o SNTE denuncia outras situações e alegadas irregularidades. Como é o caso da abertura de concursos de promoção no IEFP sem a constituição de júris. Nos concursos de 31 de Dezembro de 2008, os júris só são definidos a 13 de Janeiro e os nomeados só tomam conhecimento, através de despacho, três semanas depois. Em causa poderá estar o que o SNTE considera de "sonegação de competências".
Na carta à direcção do IEFP, é também referida a existência de uma carta anónima que relata alegadas irregularidades na própria constituição dos júris que seleccionam quem é ou não promovido na carreira do Serviço Público de Emprego e Formação Profissional. Os responsáveis do SNTE dizem que se as informações prestadas por um alegado membro do júri tiverem "o mais ténue fundo de verdade", o assunto passa a ser do "domínio do pidesco".
O alegado membro do júri autor da carta anónima revela situações de "coacção", de violação do princípio da imparcialidade e de ingerência da própria direcção do IEFP nos critérios de avaliação dos concursos. Segundo a denúncia anónima, "os candidatos vão ser prejudicados se estes concursos prosseguirem". Mais, diz a missiva a dada altura, "existem acórdãos de tribunal que simplesmente suspendem a continuação dos concursos que violam regras semelhantes a este tipo de concursos".
O DN tentou ontem ouvir Francisco Madelino, presidente do IEFP, que não atendeu o telemóvel. A 10 Janeiro, contudo, o dirigente do organismo público assumiu responsabilidade pelo caso do discursos do primeiro-ministro na documentação para as provas escritas de conhecimentos, mas recusou qualquer tentativa de "evangelização política" da sua parte."

DN online 23.02.2009

O liberalismo pode estar de rastos, mas o oposto...

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Nem sabemos a sorte que temos...

Se eu vivesse numa ditadura acharia normal, embora discordasse, que alguns dos nossos alunos fossem transportados em autocarros que não cumprem a lei vigente acerca da segurança do transporte de crianças. Que a empresa transportadora considerasse o seu transporte como carreira comum para não ter que cumprir a lei. Que os condutores alterassem os trajectos para escapar ao controlo da policia. Simplesmente para poupar uns trocos até ao dia em que aconteça uma desgraça.
Se eu vivesse numa ditadura acharia normal, embora discordasse, que um pavilhão de uma escola tenha sofrido obras de beneficiação e que continue sem ser usado porque tem um revestimento onde existe um produto proibido, perigoso para a saúde e para o ambiente. Acharia até arriscada a estranha ousadia dos professores de educação física em não querer submeter os seus alunos ao contacto com tal produto.
Se eu vivesse numa ditadura acharia normal, embora discordasse, que um professor seja alvo de um processo disciplinar porque comentou para um jornal local o facto da sua escola estar pior depois de ter sofrido obras de beneficiação. Pior do que estava antes dessas obras.
Felizmente não vivo numa ditadura e precisamente por isso sei que por estes lados, tais coisas só aconteceriam numa suposição idiota e apenas por manifesta desatenção das nossas autoridades.
Estou descansado porque sei que as intervenções nos nossos edifícios são devidamente fiscalizadas e porque sei que a segurança e o bem estar da nossa população está acima de qualquer outra coisa. Tal como a liberdade de expressão.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Intensidade


Foi esta!
Mais do que todo o esforço que se denota ao longo do filme (o actor emagreceu doze quilos), completado por uma caracterização impressionante, foi esta cena que deu o Oscar a Tom Hanks em 1994.
Sente-se isso. Arrepia-nos ver e ouvir aquele entrelaçado de música, canto e palavras com um denominador comum: dor!
Senti ontem, esta madrugada, quando pela primeira vez vi Philadelphia.
Não é o tipo de filmes que me motive (daí ter esperado quinze anos), mas esta madrugada estava especialmente predisposto a isso e deixei-me levar. Passou no Hollywood.
Se calhar tem a ver com o facto de terem ontem sido revelados dados que dizem que aparece em média no Curry Cabral um novo doente infectado com o HIV por dia. Apenas no Curry Cabral, se ouvi bem e julgo que sim.
Esta cena vale-se da voz da Callas para exprimir uma dor avassaladora. Uma dor que nem todo o brilhantismo de Tom Hanks conseguiria transmitir. Uma dor que a música, mais que as palavras, enterra bem fundo na pele de quem assiste.
Uma das cenas de cinema mais intensas que já tive o privilégio de ver.
A área que Maria Callas interpreta, La Mamma Morta, pertence à opera Andrea Chenier de Umberto Giordano.
Para que conste, de entre os actores e figurantes do filme, morreram entretanto 43 pessoas com SIDA.

Corleoni versus Pemberton(i)

video

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Photo Gulbenkian



A fantástica colecção de fotografia da Fundação Calouste Gulbenkian está a ser disponibilizada aos poucos no flickr http://www.flickr.com/photos/biblarte/com
Pedacinhos da nossa história para apreciar com vagar.
Todos os dias são adicionadas novas fotos.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Da tradição...

O escarro é uma instituição nacional.
Precedido do inconfundível "puxanço" de alerta, um gutural brotoejo das cordas vocais a lembrar um serrote de arco, o escarro forma-se na zona da epiglote, ensaliva na cavidade bucal para combater o atrito e finalmente projecta-se, boca fora, para se espraiar no pavimento onde, em todo o seu viscoso esplendor, demonstra o imenso desprezo que o Machus Lusitanus tem pela decência, pela higiene e pelo seu semelhante.
Há-os de todos os tamanhos e feitios.
Os transparentes que denotam ensalivação a mais, resultado do amadorismo do emulador.
Os brancos opacos, sinal de garganta saudável, apenas limpa das impurezas da respiração.
Os verdes de resfriado, constipação ou gripe (do verde alface ao verde garrafa).
Os raiados de vermelho, sinal inequívoco de profunda doença do foro pneumológico.
Nada há de mais nojento no estéreotipo do português.
Esta manhã contei catorze escarros no meu percurso entre o hotel e a Escola Secundária D.Duarte.
Fresquinhos, os catorze.
Pela textura, pela bolha irregular e pelo brilho vitreo, pareceram-me na sua maioria obras de amadores.
Amadores porque em idade escolar.
Herança e preservação da espécie.
Respeito pelas ancestrais tradições do reles.
Catorze.
Descontando os que a besta teve a decência de enviar para as águas do Mondego, apreciando-lhes o arco descendente e a efemera mancha em forma de alforreca (adivinha-se).
Meninos nascidos no limiar do século XXI. Com o portátil na mochila e acesso à internet de banda larga em qualquer lugar.
Somos um povo boçal, é facto, mas sempre podiamos evoluir alguma coisinha.
Ele há coisas que teimam em se manter coladas à pele.
Às vezes sinto vergonha da nossa miséria.
Às vezes limito-me a ficar triste...



hÁ 25 aNos - thE aRt of noiSe

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O s'tor


"Cavaco é o presidente que mais chumba diplomas da AR"

Diário de Notícias 17.02.2009

Assim também eu.
Até tem segurança pessoal!
Se dependesse do Ministério da Educação, não se atrevia.
Podia "reter" os que fossem mesmo muito maus, desde que devidamente fundamentado e com pachorra para se submeter a uma carga de trabalhos.
E ainda se sujeitava a levar uns açoites de algum familiar do dito cujo. Ou do próprio...




segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Sensato pensamento

"É fácil obter tudo o que queremos, desde que primeiro aprendamos a viver sem as coisas que não conseguimos obter"
Elbert Hubbard

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Americanos aprendem com gestores portugueses.

"Vikram Pandit, CEO do Citigroup, revelou, hoje, que vai passar a receber um salário de apenas um dólar e que não aceitará qualquer bónus até que o banco que lidera, e que recebeu mais de 45 mil milhões de dólares (35 mil milhões de euros) em ajudas governamentais, regresse aos lucros."

Jornal de negócios 2009.02.12

Prontuário SMS


(__!__) rabo perfeito.

!__!__! rabo quadrado.

(::!::) rabo com celulite.

(__$__) rabo de prostituta de luxo.

(__*__) rabo de quem está com frio.

(__.__) rabo de quem está com muito medo.

( _o__) rabo pouco usado.

(__O__) rabo bastante usado.

(__+__) rabo de crente.

(_____________0____________) rabo da Margarida Martins.

(__!.!__) rabo com nádegas afastadas para exame da próstata.

(__!o!__) rabo com nádegas afastadas após exame da próstata.

(__!O!__) rabo com nádegas afastadas após colonoscopia.

(__;__) rabo com falha de limpeza após uso.

(__-__) rabo de japonesa.

(__V__) rabo de biquini.

(__Y__) rabo de fio dental.

(((__)(__))) rabo mole.

(__x__) rabo de esposa.


Texto (censurado) enviado pelo Xavier

Marketeer

Fiquei ontem a saber que afinal só há trinta mil ricos "oficiais" no nosso país - menos de um por cento do total dos contribuintes. Digo "oficiais" porque parto do princípio que o nosso governo recorreu à máquina fiscal para os encontrar. Se procurasse na revista "Caras" encontrava de certeza muitos mais, mas esses, mercê do simpático controlo que não existe sobre o mercado de capitais, não são considerados ricos "oficiais".
Assim sendo, temos trinta mil pessoas que vão ser chateadas pelas finanças sem que daí advenha qualquer benefício que se veja para a população do país.
Como em ano de eleições vale tudo, o nosso Primeiro pretende com isso piscar o olho à esquerda que sempre ostracizou nestes ultimos três anos e picos.
Com o casamento entre homossexuais piscou um olho ao Bloco de Esquerda, com esta encarnação do Robin dos Bosques pisca o outro olho ao Partido Comunista e com um terceiro olho que terá que arranjar para piscar, irá tentar seduzir o seu maior inimigo: Manuel Alegre.
Depois de tudo o que tem acontecido, se Manuel Alegre aceitar ser deputado pelo PS, é porque não tem vergonha nenhuma.
Se mesmo assim isso acontecer, ainda veremos Manuel Alegre como candidato do PS à Presidencia daqui a 2 anos contra Cavaco Silva.
A quadratura do circulo.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce!”

Homenagear o Padre Abílio Duarte Simões
(Texto Nuno Canilho)

No sábado, 7 de Fevereiro de 2009, completaram-se dois anos sobre a súbita morte do Padre Abílio Duarte Simões. Para além do pároco — da Vacariça e da Mealhada —, do professor, do jornalista, recordamos, com emoção, o homem — altruísta, militante, teimoso, corajoso, inquieto — e, de modo muito especial, o amigo — dedicado, generoso — cuja falta não conseguimos, ainda, superar.Abílio Duarte Simões era um homem extraordinário. Caridoso, altruísta, quantas vezes tirou do seu bolso para dar aos outros? Tirou dinheiro, tirou tempo, tirou paciência, tirou disponibilidade.Não era um homem fácil. Tinha o feitio difícil dos génios. Nem sempre era fácil aceitar a impetuosidade dos seus gestos, das suas enigmáticas respostas. Era um homem superiormente inteligente e com ironia, sentido de auto-crítica, mostrava muitas vezes apenas aos mais próximos o seu lado mais transparente.Ao longo de trinta e quatro anos de permanência na Mealhada envolveu-se de maneira empenhada em várias causas de cidadania, como o Centro de Cultura da Mealhada, sempre serviu os outros em trabalho voluntário em todos os jornais da região. Abraçou causas sociais como as dos cursos de português para imigrantes, como da acção social caritativa para os mais necessitados. Como pároco sempre soube dizer presente nos momentos em que alguém se encontrava hospitalizado e precisava de apoio, soube conjugar vontades para erigir uma igreja digna do estatuto da paróquia, deu de si e do que era seu pela Mealhada e pelos mealhadenses.Merece estar entre os nossos mais notáveis. Torna-se, assim necessário, como ele fez tantas vezes por outras causas, conjugar vontades para, por exemplo, instalar um busto seu na praceta, na Alameda da Cidade, próxima da Igreja da Mealhada. Para isso contamos com o apoio de todos os que connosco se quiserem solidarizar. A Junta de Freguesia da Mealhada dará o apoio institucional a uma iniciativa que merece ser popular, da parte de cada um dos que, como nós, tem um obrigado a dizer ao Padre Abílio. Junta-te a nós para dizer obrigado! Envia-nos o teu testemunho, apoio e sugestões para obrigadoabilio@gmail.com

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Olha se este tivesse jogado no totoloto...

"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável.
O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado"


Karl Marx, in Das Kapital, 1867

Dexter

Presumo que seja salutar enfrentarmos a nossa própria finitude.
Desde o dia em que nascemos que entramos num processo de degradação que terminará, sem excepção, na nossa morte. Todos iremos um dia morrer: apenas não sabemos como nem quando.
É esse o mistério da vida. É essa a sua maior grandeza.
Alterar o curso da vida é desafiar a própria natureza.
Seja para a prolongar seja para a encurtar, sempre que estamos a modificar o caminho da vida, estamos a demonstrar que somos mais que animais. Estamos a provar que, por um acaso do cosmos, criámos a capacidade de, conscientemente, brincarmos aos deuses. Cria-se um poder de manipulação que fascina.
Poder alterar o que está escrito, mexe-nos com os sentimentos mais profundos.
A morte faz parte da vida e quanto mais cedo tivermos consciência disso, mais prazer tiraremos da nossa existência.
Dexter Morgan é um técnico forense da brigada de homicídios da polícia de Miami.
Desde pequeno que tem tendências homicidas que o padrasto, detective entretanto falecido, conseguiu canalizar para um objectivo menos, digamos, abjecto.
Dexter torna-se um serial killer de toda a especie de escumalha que o sistema judicial não consegue punir convenientemente.
Guia-se por um código (apenas assassinos ou violadores) e por um ritual (paralisa-os com uma injecção no pescoço, envolve-os em película, retira-lhes um pouco de sangue da face que guarda numa lamela, mata-os com uma estocada certeira na aorta, corta os corpos em pedaços e lança-os ao mar).
Dexter é uma série de televisão.
Embora a descrição anterior possa antever argumentos sumarentos, a trama da série passa um pouco ao lado desta pulsão de Dexter Morgan.
Aquilo que mais cativa, aquilo que mais prende ao ecran é que é possível simpatizarmos com um serial killer. A série permite-nos assistir à evolução de uma pessoa que nasceu com um monstro dentro de si e que, pela interacção com o mundo à sua volta, acaba por evoluir a cada episódio no sentido de se tornar mais humano.
A série passa na Fox FX e começa agora em Portugal a sua terceira temporada.
Eu não me contive e já consegui arranjar toda esta terceira temporada que ando a devorar avidamente. E não estou nada arrependido.
Dexter é agora um ser muito mais humano. Tem dúvidas, comete erros, perde a calma. Tudo porque logo no primeiro episódio mata, por acidente, alguém que não se encaixa no seu código: alguém inocente que vai ficar marcado no seu cérebro distorcido e que lhe vai alterar toda a vida.
Uma grande série, uma série de culto para guardar na prateleira das primeiras temporadas de Ficheiros Secretos.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O triângulo das patadas

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Os meninos ouçam a musiquinha com atenção porque, embora vocês (ou quem escreve em vosso nome) se possam ter esquecido, há vida para além da política. E curtinha... dois dias, diz-que!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Maria vai com as outras

Aparentemente, o porta-estandarte do simplex, o Cartão do Cidadão (ou cartão único para os cidadãos de piada mais fácil) é um sucesso.
Um sucesso tão sucessível que provoca filas sucessivamente intermináveis e sucessivas horas de espera à porta das repartições onde, sem sucesso, funcionários zelosos tentam trabalhar a um ritmo para o qual nunca foram treinados nem pensavam sequer que existisse.
Não se via nada assim desde que alguém se lembrou de passar um filme a três dimensões na RTP para o visionamento do qual era necessário adquirir antecipadamente uns óculos especiais com lentes de celofane daquele do queijo flamengo (pelo menos num dos olhos, porque o outro era verde, logo mais difícil de arranjar) que se revelou um barrete maior que, bem, enorme.
Com vários telemóveis per capita e GPS's a serem considerados mais importantes que a dose diária recomendada de proteínas, os portugueses são cada vez mais fashion victims.
Modistas.
Somos um país de modistas.
Chega até a ser contranatura que numa altura em que todos os dias são apresentados novos modelos de automóveis cada vez mais bonitos, eficientes e potentes, as vendas deste produto de primeira necessidade tenham caído quase cinquenta por cento. Falta de dinheiro não é com certeza, porque isso nunca foi impedimento.
De certeza que o general Loureiro dos Santos, o Bastonário da Ordem dos Advogados ou o Sr. Rui Santos terão uma boa explicação para este fenómeno. São a única esperança deste país, desde que o Dr. Nuno Rogeiro se remeteu ao silêncio dos tratamentos capilares e desde que o Dr Moita Flores se cansou do estrelato.
Nós somos um povo com a sua piada. Se analisarmos bem, acabaremos por chegar a essa conclusão.

MÃE - uma instituição universal

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

...da experiência!


Cuidado com a luz ao fundo do túnel: pode ser um comboio...

O Espesso

A loucura que criou a crise
"Se alguém quer mesmo saber porque o sistema financeiro norte-americano deu o estouro que se sentiu em todo o mundo, então recomendo que leia "O Lobo de Wall Street", de Jordan Belfort. É uma história verídica, que dá conta da ganância e loucura de muitos que faziam girar triliões de dólares em Wall Street.
Belfort começou a trabalhar como corretor na LF Rothschild em 4 de Maio de 1987, aos 24 anos. Aprendeu rapidamente e em 1989 estava à frente da sua própria sociedade corretora, a Stratton Oakmont, e a caminho de ser multimilionário em menos de dez anos, tornando-se um ícone do empresariado norte-americano.
Na Stratton, "onde a sala de corretagem mais agressiva da América fazia a insanidade parecer perfeitamente normal", a maioria dos que lá trabalhavam tinha pouco mais de vinte anos, mas ganhava dinheiro como nunca, ao vender ferozmente, como pitbulls, acções entre quatro e dez dólares aos investidores mais prósperos da América, convencendo-os a especular com milhões. Um corretor de acções caloiro esperava ganhar 250 mil dólares no primeiro ano ("qualquer coisa a menos e ele era suspeito"), 500 mil no segundo ("ou era-se considerado fraco e sem valor") e no terceiro "era melhor estar-se a ganhar um milhão ou mais ou então era-se motivo de chacota". Por isso, à porta da Stratton havia intermediários tentando vender-lhes mansões, bancos assegurando financiamento, uma fila de vendedores oferecendo Porsches, Mercedes, Ferraris e Lamborghinis, chefs reservando lugares nos restaurantes mais caros, cambistas propondo bilhetes na primeira fila para eventos desportivos, espectáculos na Broadway ou shows de rock, e joalheiros, relojoeiros, alfaiates, amestradores de animais, etc.
A par disso, a droga circulava com fartura entre os corretores, a prostituição era praticada na própria sala de corretagem, nos elevadores, etc, e paga com cartões de crédito, mas também havia diversões absurdas, desde levar todo o tipo de animais de estimação para o escritório até jogos como atirar um anão de um corretor para outro, perdendo aquele que o deixava cair ao chão...
Jordan Belfort era, claro, a estrela daquilo que chamava "estilo de vida dos ricos e malucos", dirigindo um helicóptero Bell Jett de hélices duplas, calçando botas de pele de crocodilo de 2400 dólares, embalando o berço da filha de 60 mil dólares, vivendo numa mansão em Long Island, dormindo sob um lençol de seda de 12 mil dólares e, como ele diz, com uma quantidade de drogas correndo no seu sistema circulatório capaz de sedar a Guatemala inteira.
É óbvio que, por mais brilhante que Jordan fosse, mesmo na América não se chega a multimilionário em cinco anos sem que haja mais alguma coisa além de talento e sorte. Na verdade, Belfort colocava acções de empresas no mercado, cujo valor depois controlava usando a sala de corretagem. Se depois o dono da empresa não colaborasse, Belfort utilizava o seu poder para derrubar o preço das acções até chegarem aos centavos.
Colaborando, fazia subir o preço das acções através de vendas maciças. E em novas emissões garantia para si uma parte que comprava abaixo do preço do mercado, vendendo depois as acções com um lucro enorme. Além disso, utilizava testas-de-ferro para comprar mais acções do que a legislação lhe permitia.
Contudo, o dinheiro ganho ilegalmente tinha de ser colocado em local seguro, onde as autoridades americanas não começassem a fazer perguntas acerca da sua proveniência. E assim Belfort lá abriu uma conta num banco suíço, em nome de uma tia da sua mulher, bem como duas empresas fictícias nas Ilhas Virgens britânicas, onde não se paga impostos nem há regulamentos a seguir. Pelo meio, havia documentos falsificados e pessoas que serviam de correio para transportar o dinheiro para fora dos Estados Unidos.
Tudo foi correndo bem, até que morre a referida tia e um dos correios é detido e dá com a língua nos dentes. Belfort é obrigado a negociar com as autoridades o seu afastamento da presidência da Stratton e a empresa acaba por encerrar ao fim de oito anos. O seu passado profissional, contudo, continua a persegui-lo. E assim em 1999, Jordan Belfort, "O Lobo de Wall Street", é finalmente preso por fraude mobiliária, lavagem de dinheiro e outros crimes e acaba por cumprir uma pena de 22 meses numa prisão federal.
Foram pessoas como esta, brilhantes financeiramente mas ganaciosas, amorais e que sempre desprezaram as empresas produtivas, que durante duas décadas fizeram girar triliões em Wall Street, inventaram todo o tipo de veículos financeiros sem que ninguém soubesse exactamente que risco continham e alavancaram a economia mundial a um ponto que já nada tinha a ver com a economia real. O resultado é a devastadora crise em que caímos."

Nicolau Santos, Expresso online 2009.02.02


Com todo o respeito que possa merecer o Dr. Nicolau Santos, das duas uma: ou o Expresso está tão mal que tem que ir roubar leitores ao Correio da Manhã e ao 24 Horas, ou o Dr. Nicolau Santos está tão mal que tem que escrever sobre banalidades para ter leitores.
Este "Lobo de Wall Street" é um arrazoado de fait-divers daqueles que toda a gente sabe desde os anos oitenta, tão estafados que até já serviram de desculpa para filmes daqueles com Tom Cruise ou qualquer outra estrela de estatura semelhante (estatura, se calhar, é uma palavra dura para falar de Tom Cruise).
A única coisa nova em toda esta história (actividade estúpida e grosseira) é ficarmos a saber que, para certos "génios", atirar anões pode ser um desporto revigorante, embora se possa sempre pensar metafóricamente sobre o assunto. É que o que os "génios" da alta finança realmente andaram a fazer nos últimos anos foi precisamente atirar, neste caso areia, para os olhos de homens tão influentes e tão ouvidos pelo mundo, como Allan Greenspan ou outros de estatura (aqui estatura não fica mal) semelhante.
Há muito tempo que se sabia que a economia estava assente em castelos de cartas. Não se sabia é que quem o devia saber para nos descansar, não sabia ou fazia de conta que não sabia.
Neste momento é melhor guardar o dinheiro para quando o spread for tão grande como o juro, do que comprar livros que dizem que os responsáveis pelo estado em que isto anda se entretinham a atirar anões para enganar o tédio entre duas snifadelas.
Este tipo de literatura de cordel cria-nos predisposição para o homicídio, o que me parece pouco saudável. Pelo menos por agora!