sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

da subida


Para quem achar importante, eis aqui a lista das pessoas importantes (segundo a Wikipedia) que morreram em 2010.

Catalogada por data, profissões, origem e ano de nascimento.
Verdadeiro serviço público.
Não me sinto nada ostracizado por se terem esquecido de mim.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

do jogo de cintura ou Feliz 2011

Quando experimentamos uns sapatos e perguntamos ao vendedor se alargam, gera-se um momento de tensão.
Perante a nossa expressão facial, o vendedor arriscará um "dão-se sempre um bocadinho" ou um "esse sapato não deforma", segundo a sua experiência.
Se acertar na resposta faz negócio, se não acertar levanta-se de um pulo acrescentado um "mas não alargam demais" ou um "não deforma, mas adapta-se ao pé" consoante a necessidade.

Para o ano de 2011, desejo-nos um jogo de cintura igual ao dos vendedores de sapatos.
E paciência, muita paciência.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

da chico-espertice


Na prática não tenho sentido muito a crise: o hotel está a trabalhar melhor que no ano passado e pessoalmente, mercê de aulas e outras peculiaridades, tenho maior desafogo financeiro hoje que no final de 2009.
É verdade.
No entanto, e porque a realidade não se esgota na minha zona de conforto, estes ultimos tempos criaram-me um maior espírito crítico no que diz respeito a desmandos, a desperdícios, a exageros e a roubos.
Comi hoje uma fatia de pudim Abade de Priscos no restaurante D. Tonho em Vila Nova de Gaia.
Fantástico o pudim, como de resto toda a refeição.
Digo sem qualquer reserva - almocei muito bem.
Cobraram-me cinco euros pelo pudim.
Um roubo?
Não, desde que me tivessem informado previamente do preço conforme manda a ética, a educação, a legislação e o respeito pelo cliente.
Como não o fizeram, é um roubo.
Os restaurantes são livres de colocar nas suas cartas os preços que bem entenderem e os clientes são livres de escolher ou não, mas apresentar uma travessa de entradas para o cliente escolher quando já não tem consigo a carta para poder aferir dos respectivos preços ou descrever oralmente o menu de sobremesas sem informar os valores das iguarias, soa-me cada vez mais a vigarice.
É precisamente nos preços que nós não vemos ou nos que nos são sonegados que se esconde o diabo e nós não vivemos tempos que se prestem à apreciação de surpresas.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

dos macarons


Não gostei dos verdes, tão pouco descortinei ao que sabiam.
Há uns vermelhos de framboesa que irão, sem dúvida, lindamente com uma taça de espumante.
Para o chá, guardem-se os de sabor mais delicado.
Há um dos castanhos que tem aroma de café. Muito bom.
Avelã, pareceu-me um deles, mas não confirmo.
Pelo meio apanhei um com um travo acido que não identifiquei, que destoa, mas que não desagrada.
Os lilás são de amora e não de lavanda como, aterrorizado, suspeitei ao olhar para eles. (A Arcádia tem uns chocolates de lavanda que sabem a sabão).
Maravilhosos mesmo são os amarelados de baunilha e caramelo.
Ao todo eram nove sabores.
Escapou-me entretanto um...

Comprei-os na Boulangerie de Paris, na zona da estação de S Bento, no Porto. Merece uma visita pela fantástica vitrine de pastelaria que ostenta.
Uma nota final para os croissants: um must. 

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

do fundo do Coração ao pó das estrelas


Da paz que sonhamos,
Ao tudo que,
Ano após ano,
entre todos desejamos...

Da luz que difundimos,
À mão que estendemos.
Do pão que distribuimos,
Ao calor que recebemos. 

Em tudo pomos tudo,
Em muito, quase nada...

Na tal,
Na fácil lágrima...
Na tal simples redenção. 

Porque no fundo,
No fundo,
Só nos sobra
O pó das estrelas.

2010.12.22

domingo, 19 de dezembro de 2010

the Horse's Neck


O Pai Natal é uma fraude, tendo a considerar.
Sabe tudo, sabe tudo, mas não aprende que não gosto de whisky (nunca gostei) e que há mais de dois anos que não bebo vinho de espécie alguma.
Perdoo-lhe apenas a falha em relação aos charutos, para os quais vou abrir uma excepção: os Montecristos nº3 que hoje recebi não vão ficar por fumar. Mas mesmo em relação ao tabaco, já não sou o homem de outrora.
Não, ainda não chegou o Natal, mas tenho alguns indefectíveis que se chegam sempre à frente antes da data, quiçá para se precaverem: pensam que assim eu não me esqueço de retribuir.
Alguns enganam-se.
De todos as garrafas de whisky que recebi na vida, e que por sinal nem foram assim muitas, apenas uma me deixou verdadeiramente agradecido. E essa, tenho feito questão de a beber - aos poucos, que para mim é mesmo frete, mas misturando (hoje foi com ginger ale) lá vai indo.
Foi-me oferecida por uma turma de restaurante/bar da Secundária D Duarte, para pagamento de serviços prestados. O simples serviço de gostar deles, de lhes compreender as idiossincrasias.
Ninguém na escola compartilhava nem compreendia este meu apreço. Compreenderam-no os alunos e deram-lhe a forma de uma garrafa de Cardhu e de um postal assinado por todos, que ainda hoje guardo.

Horse's Neck é o nome da primeira composição que aprendi a fazer na Escola de Hotelaria e Turismo do Porto nos idos de 1986. O nome advem-lhe de uma casca de limão longa que se pendura no bordo do copo e cai pelo interior do mesmo. O original resumia-se a ginger ale, mas o tempo fortaleceu-o com brandy. 
Actualmente é mais comum com whisky rye ou bourbon, mas hoje fi-lo com malt whisky e nem a casca do limão ficou em condições. 
E mais uma vez me lembrei dos meus alunos da turma de r/b do D Duarte.


da desertificação


A morte lenta e dolorosa da Baixa de Coimbra tem vários rostos. É injusto atribuir toda a culpa a Carlos Encarnação, mas será também injusto não lhe atribuir nenhuma.
O divórcio com a Baixa vem do tempo de Manuel Machado e obviamente que um governo que só não tira a Coimbra o que não pode também não ajuda.
Compreenderia o argumento que Carlos Encarnação apresentou para se despedir do cargo se fosse funcionário do Governo, mas de facto um autarca não é funcionário de nenhum governo. Um autarca é, quanto muito, funcionário do povo que o elegeu, funcionário do seu município, servidor da sua terra.
Coimbra vai herdar uma solução postiça, um presidente em que ninguém votou e uma coligação que pode não se rever nos novos rostos.
Tudo coisas de que Coimbra está longe de precisar.
Tudo coisas que Coimbra não merecia.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

do Ronald


Hoje conheci pessoalmente o Ronald McDonald.
Verdade: até me ofereceu uma esferográfica.
Infelizmente tive pudor de pedir para registar o momento em foto.
Nunca me perdoarei.
...
Actualmente é difícil explicar a quem não vivieu os tempos do assalto consumista, a loucura que foi comer o primeiro chocolate Nestlé depois de anos a vê-los apenas na publicidade dos livros do Walt Disney editados no Brasil pela editora Abril: o Chokito, o Galak...
Dizer que guardei religiosamente o papel do primeiro Mars que comi pode dar vontade de rir, mas não a quem apenas os via na Pop Rocky ou na Bravo (edição alemã) - comi o primeiro Mars uns bons cinco anos antes de os haver em Portugal.
Quem é que se lembra de que só os filhos dos emigrantes ou quem tinha primos na França ou na Alemanha é que tinha sapatilhas Adidas.
E a Coca-Cola? E a Fanta? Bebi durante anos em Ayamonte no Verão porque por cá não havia. Lembro-me até que a versão em lata da Coca-Cola, da Fanta, da Sprite e da Finley (água tónica) foram lançadas a nível nacional na CIC, ainda na Praça Heróis do Ultramar, num dos primeiros anos da década de oitenta.
E quando o Rui Paulo foi passar as férias de Verão ao Canadá com o pai? Trouxe histórias, um vocabulário enriquecido ("fuck" e "shit" e a sua junção "fuckshit" que ele repetia à exaustão) e um tesouro de valor incalculável: material usado de um McDonalds. Um prazer quase erótico, poder tocar uma embalagem de batatas fritas ainda suja de óleo, vermelha, ostentando galhardamente os "Golden Archs" que faziam as delícias da nossa mais ousada fantasia. Igualzinha às dos filmes.
...
É por estas e por outras que facilmente se percebe a onda de saudosismo em relação aos anos oitenta por parte de quem tem hoje à volta de quarenta. Foi uma década de roupa pirosa, de carros que pareciam supositórios, de música... bem, a música safa-se. A música e o cinema. Muito por causa do Indiana Jones, do Back to the Future, do Alien e dos Ghostbusters. E da Samantha Fox...
Foi o ponto de viragem.
A geração que viveu os anos oitenta foi a primeira a interiorizar o mundo num Portugal que apenas meia dúzia de anos antes se dizia "orgulhosamente só".
Estou mesmo arrependido de não ter tirado uma foto com o Ronald McDonald.

domingo, 12 de dezembro de 2010

da imaginação


Para dar a conhecer ao mundo a sua internet de banda larga de 100 mb, a Virgin colocou nas ruas de Londres vários bólides travestidos de taxis.
Segundo consta, estiveram mesmo a trabalhar enquanto durou a campanha.
Não há dúvida que por muito que as coisas possam parecer cinzentas, haverá sempre lugar para a imaginação.

das mascotes



Já não era sem tempo.
A mascote oficial deste Natal é o coelho.
Estudos levados a cabo por reputados institutos, uns do velho continente e outros da América confirmam a sensatez da escolha: o coelho não transmite doenças, é pacato, sociável, limpo, silencioso e... comestível.
Esta nova tendência de adoptar mascotes que se podem comer num qualquer momento de aperto financeiro tem o seu quê de sinistro, mas não deixa de ser um sinal dos tempos.
Pessoalmente não vejo nada de estranho na escolha: afinal o Homem é realmente o único ser da criação que habitualmente convive com a sua alimentação. Antes apenas disponível no campo, agora tmabém em ambientes urbanos.
Pela parte que me toca, pondero a adopção. Há muitos anos que não como coelho e não tenciono voltar a fazê-lo.
Excepto se tiver muuuiiita fome.

da grande ilusão

video
(Video enviado por mail pelo meu amigo António Jorge Costa)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

da ironia


Não tiro qualquer espécie de prazer zombeteiro da notícia.
Não pretendo tão pouco ser sarcástico. Desejo-lhe do fundo do coração uma rápida e inequívoca melhora, tanto quanto desejaria a mim próprio.
Mas a ser verdade que foi diagnosticado um cancro a este senhor, não deixará de ser uma enormíssima ironia da vida.
O próprio já o terá reconhecido. A ironia, subentende-se.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

dos princípios


Passaram na segunda-feira trinta e três ou trinta e quatro anos sobre um dia em que fui acordado muito cedo pelo meu pai com um dilema. Tinha dez minutos para fazer uma escolha que, embora na altura me parecesse inócua, teve um peso importantíssimo na consolidação da minha personalidade: escolher entre a Enciclopédia Infantil da Verbo (na altura ainda só no volume três, mas com a promessa de ser completa) e os vinte e um exemplares da colecção dos famosos Cinco de Enid Blyton.
Avesso ao risco e ao incerto como na altura já era, preferi de imediato a colecção completa de ficção ao lento crescimento do conhecimento científico.
Nunca me arrependi.
Li-os todos de seguida, alguns mais que uma vez. Alguns mais que duas...
Dias depois o meu irmão escolheu a Enciclopédia Juvenil. Obviamente. É um homem de ciência enquanto eu me quedei por este chove não molha um tudo nada romântico, um tudo nada aparvalhado.
Fiz todo o percurso Enid Blyton como mandam as regras: o idiota do Noddy (uma mancha na carreira da escritora), o clube dos Sete (injustamente relegado para plano secundário), os Cinco, o Mistério e mais uma enorme quantidade de obras avulsas. Ficaram-me, para além dos óbvios, o Arreda, a Catatua Didi e o Gordo que, ao contrário do mundo real, era um herói.
Basta olhar para as lombadas dos exemplares dos Cinco para facilmente confirmar qual foi o meu preferido: "Os Cinco voltam à ilha", volume 3 da colecção, está parcialmente destruído.
No início dos anos oitenta, a RTP emitiu ao final da tarde a série numa produção inglesa de grande qualidade que me deixou pouco menos que extático. Mesmo com um cão que não correspondia ao meu imaginário do Tim, um David que afinal se chamava Dick e uma Zé que por ali respondia como George.
As obras de Enid Blyton faziam-nos sonhar e apesar de na altura não darmos conta, fortaleciam na nossa personalidade princípios tão importantes como a lealdade, a coragem, a determinação e a generosidade.
Muitos anos mais tarde, encontrei-me num fim de noite muito bem regado no bar do hotel Praia Mar em Carcavelos, a discutir o tema Enid Blyton com um casal de simpatiquíssimos professores ingleses que me garantiram que nesse momento (1991, 92), havia uma corrente de pensamento  na cultura inglesa, uma corrente importante que pretendia rotular a escritora de fascista. Com algum sucesso, afiançaram. Justificava-se o acto com os tais princípios defendidos, com o aspecto corporativista e elitista  dos meninos se juntarem em grupos.
Um arrazoado de iniquidades. Uma monstruosidade contra a qual lavrei o meu mais veemente protesto,  amplificado por muitas canecas de cerveja San Miguel.
O tempo encarregou-se de repor Enid Blyton  e a sua obra.
A escritora morreu há quarenta e dois anos.  No dia 28 de Novembro.

do espírito

(O azevinho da minha mãe está enorme e cheiínho de espírito natalício)

Hoje é dia de fazer a árvore de Natal.
Como estou constipado, a Elsa resolveu adiar para não me incomodar.
Pelo menos foi o que ela disse.
Não me passa pela cabeça que ela esteja a falar a sério quando me chama rezingão ou quando diz que o filho está a ficar igualzinho a mim.