terça-feira, 29 de junho de 2010

de la mala educacion


Aconteceu-me ontem algo que já sabia que iria acontecer. Conhecendo-me como me conheço, só faltava saber quando - foi ontem à tarde.
Ia para Coimbra dar uma aulas quando resolvi meter gasóleo. Por razões que não consigo explicar, passei todas as bombas que encontrei pelo caminho (e são pelo menos 3) sem parar e só na Adémia me lembrei que tinha mesmo que abastecer. Na Adémia, que obriga a ter que desviar-me do caminho. Enfim!
Parei, comecei a abastecer, compenetradíssimo no que estava a fazer como é aliás hábito, e meti pelo menos dezanove litros de gasolina no depósito de um carro a gasóleo. Dezanove porque me apercebi, que a ideia era atestar. E gasolina daquela aditivada, da mais cara.
Só então percebi os desígnios subjacentes a ter escolhido uma bomba que nem sequer estava no meu caminho - esta tem oficina.
O senhor da oficina foi fantástico, sugou a gasolina toda do depósito com a máquina do óleo e descansou-me; como não liguei o carro não houve problema. Do mal o menos. Excepto o prejuízo. E as aulas que ficaram por dar porque tirar tanta gasolina por um tubinho demora o seu tempo.
Parece que é hábito. Não fazia ideia. Mas a experiência do mecânico a fazer tal coisa comprova que realmente o deve fazer amiúde.
Acabado o serviço e com o carro já atestado - desta vez de gasóleo - perguntei quanto era e simpáticamente disseram-me que só tinha que pagar o combustível, que um acidente pode acontecer a qualquer um.
Procurei o mecânico e dei-lhe vinte euros.
Admirado com a generosidade respondeu-me:
-O senhor acredita que há pessoas a quem fiz o mesmo jeito e que nem obrigado me disseram?
Acredito. Infelizmente acredito.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

da introdução

(recebido por mail)


A Maria adoece e o Manel diz-lhe para ir ao doutor.
O médico receitou-lhe uns supositórios...
A Maria chega a casa e pergunta ao Manel:
- Onde fica o ânus?
E o Manel responde:
- Ê sê lá mulher... porque nâo perguntaste ao Sr. Doutor?
No dia seguinte, a mulher volta ao médico e pergunta-lhe onde colocar aquilo.
- Ponha no recto!!! - respondeu o médico.
Maria chega a casa e desconhecendo onde era o recto, pergunta ao Manel.
Ele responde:
- Ê sê lá mulher!!!... Porque não perguntaste ao doutor?
A Maria volta então ao consultório médico e volta a fazer a mesma pergunta ao doutor.
Ao chegar a casa diz ao Manel:
- Sabes o que o Sr. Doutor me disse? ... Que o metesse no cú.
- Atâo, o que esperavas mulher? ... Depois de teres ido lá chatear o home três vezes?!!!

domingo, 27 de junho de 2010

dos Cinco

do imobilizado


Há muito que se percebeu que o Estado raramente é uma pessoa de bem.
Demorou um pouco, mas também se chegou à conclusão que não é lá grande administrador. É pena que assim seja porque ninguém tem nada a ganhar com isso.
No caso português, o Estado é ainda um dos maiores senhorios do país, apenas igualado pelas autarquias.
Um péssimo senhorio. Um senhorio que não sabe com rigor o que tem e que trata com desmazelo mesmo o que sabe que tem. Infelizmente secundado por muitas autarquias.
Apesar da decrepitude de muito do património imobiliário do Estado, a sua esmagadora maioria encontra-se implantada em locais privilegiados.
Como nestas coisas do imobiliário conta mais a localização que o estado de conservação das peças, será escusado dizer que o património imobiliário do Estado é valiosíssimo.
Infelizmente, como mau administrador, o Estado só se livra dos monos quando está desesperado.
O resultado de mais um encaixe conheceu-se hoje: de uma venda em hasta pública que deveria
ter rendido três milhões e meio de euros, obtiveram-se uns fabulosos cento e cinquenta e oito mil mais uns trocados.
Às tantas era a expectativa que estava desfocada.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

do faz-de-conta


Hoje fui à escola do meu filho reunir com o director de turma e receber a avaliação.
Não se esperavam casos bicudos para tratar e, começa a ser hábito, houve mais elogios ao grupo que críticas. Não é nenhum segredo de Polichinelo: é apenas uma turma que se mantem estável desde o ensino básico, onde a dinâmica de grupo funciona de forma positiva, que se comporta geralmente bem e isso acaba por se reflectir também no aproveitamento.
O único senão, segundo o director de turma, é que, apesar de ser a melhor turma do ano (sexto) em relação à média final, foi das piores, senão a pior, no resultado das provas de aferição. De tal modo que a professora de matemática, sentindo-se defraudada andou "três dias doente".
Não consegui deixar de sorrir.
A minha actividade principal não é o ensino, mas tenho quase vinte anos de experiência de ensino e permito-me pensar que conheço alguma coisa do que se passa na cabeça dos miúdos. E o que se passa na cabeça dos miúdos hoje é o que se passava na cabeça dos miúdos há dez, há vinte, há trinta anos.
Salvo raríssimas excepções, por muito que gostem de estudar, gostam muito mais de não o fazer. Salvo raríssimas excepções, sabendo que teriam que fazer um exame que não contava para nada, dificilmente se empenhariam.
Estes particularmente fizeram a diferença porque se aperceberam de que as "ameaças" dos professores de que a prova se reflectiria na nota final da disciplina, não passavam de muletas discursivas para os tentar motivar.
Não fiquei contente que tenha sido a pior turma nesse particular, mas fiquei orgulhoso por terem demonstrado espírito crítico. Aquela coisa da satisfação do dever cumprido que deve nortear a nossa vida, independentemente do resultado alcançado, não se encaixa na cabeça de miúdos de doze anos - ainda é cedo para terem essa percepção.
Todas as provas devem contar.
Muito ou pouco, todas devem ter peso na avaliação final dos alunos. Por este caminho, a prazo, as notas serão cada vez mais baixas e começará a assistir-se ao aumento gradual do absentismo.
Serão eventualmente extintas pois esse é o caminho mais fácil.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

do regionalismo

da Melanina


Há um jornal de Durban que tem hoje quatro páginas escritas em português.
Uma singela mas sincera e sentida homenagem, segundo a directora do jornal.
Registámos o gesto.
O local onde irá ter lugar aquele que poderá ser o jogo mais aguardado desta fase do campeonato do mundo de futebol, foi invadido por hordas de imigrantes portugueses e turistas brasileiros.
À falta de outro expediente, foi precisamente um imigrante português (em Durban há trinta anos) quem traduziu essas quatro páginas, inicialmente escritas em inglês.
O tradutor improvisado adiantou que este gesto dos sul africanos não apareceu apenas porque o jogo de amanhã será integralmente falado em português. Existe uma razão mais profunda para esta simpatia pela lusofonia.
Uma razão histórica que, como tantas outras na nossa História, nos coloca uma centelha de emoção no olhar e um fundamentado orgulho no coração.
Foram os portugueses os primeiros, em pleno regime de "apartheid", a permitir negros nas suas equipas de futebol. Primeiros e únicos durante bastante tempo. E esse tratamento igualitário e justo calou fundo nos locais.
Para mim, este campeonato do mundo já está ganho.
Não pretendo com isto branquear um passado racista e esclavagista que é realmente o nosso, mas tão somente perceber mais uma das inúmeras idiossincrasias que compõem o nosso ADN.
Tenho um amigo que nasceu e viveu parte da sua vida em Moçambique e que me deu um dia um exemplo interessante da maneira de ser dos portugueses. Disse-me ele, nunca negando a condição de colonizador, que a grande diferença entre os portugueses e os ingleses (também colonizadores em Moçambique) se resumia a isto: os portugueses tratavam os locais por tu, às vezes de forma até injuriosa, mas comiam com eles à mesa e cresciam a brincar com eles como iguais enquanto que os ingleses os tratavam de forma educada, chamavam-nos pelo nome, mas essa era a única intimidade que permitiam.
Sintomático.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Pergunta de algibeira


Concordo com o princípio do utilizador / pagador sempre que exista benefício. Concomitantemente concordo com o pagamento das SCUTS.
Vou mais longe. Acredito na justificação apresentada para que o pagamento se processe de forma automática.
Mas continuo com uma dúvida. Estando pelo menos duas das SCUTS em apreço implantadas em zonas turísticas, como vai ser efectuado o pagamento pelos turistas, principalmente estrangeiros.
Pode ser só má vontade minha, mas fiquei com a ligeira impressão de que o Secretário de Estado Paulo Campos não se tinha lembrado desta questão.

domingo, 20 de junho de 2010

dos poPós


Tudo indica que, apesar dos esforços hercúleos levados a cabo em sede de contenção de despesas, o parque de viaturas do Estado aumentou entre 2008 e 2009.
Mil trezentos e tal popós novos, consta.
Percentualmente não são muitos para quem tem mais de vinte e oito mil, mas mesmo assim é muito dinheiro.
Fontes estatais apressaram-se a apresentar uma justificação.
Afinal os carros já existiam antes, não estavam era inventariados. Como agora há mais rigor, apareceram.
Falta explicar como é que se arranjava dinheiro para o combustível e para a manutenção de carros que, na prática, não existiam.
Falta explicar, em face disto, o que impediria um qualquer servidor do Estado menos escrupuloso, de fazer o contrário, de utilizar os fundos públicos para fazer a manutenção ou para fazer andar a sua própria viatura.
Falta explicar o que mais estará por inventariar neste país onde de cada vez que se levanta um tapete se descobre que alguém varreu para lá qualquer coisa que não devia.
Eu preferiria que realmente tivessem comprado mais carros em 2009 do que em 2008.

sábado, 19 de junho de 2010

Para que não me chamem sectário ou porque, goste-se ou não, a cultura ficou ontem mais pobre.


Fala do Velho do Restelo ao Astronauta

Aqui, na Terra, a fome continua,
A miséria, o luto, e outra vez a fome.
Acendemos cigarros em fogos de napalme
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
E também da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti sei lá bem que desejo
De mais alto que nós, e melhor e mais puro.
No jornal, de olhos tensos, soletramos
As vertigens do espaço e maravilhas:
Oceanos salgados que circundam
Ilhas mortas de sede, onde não chove.
Mas o mundo, astronauta, é boa mesa
Onde come, brincando, só a fome,
Só a fome, astronauta, só a fome,
E são brinquedos as bombas de napalme.

José Saramago

sexta-feira, 18 de junho de 2010

da Enciclopédia


Parece que na Tailândia alguém se lembrou de obrigar os professores a fazer os mesmos exames que os alunos.
Os resultados foram catastróficos, com níveis de chumbo da ordem dos oitenta por cento.
O ministro da área, depois de refeito do choque, terá comentado que assim não vão longe.
Eu concordo.
Assim não vão longe. Não tanto por causa dos professores, mas tão somente por causa da mentalidade do ministro.
Passo a explicar o meu ponto de vista.
Dado prévio que nos falta para podermos avaliar a situação: a taxa de chumbo dos alunos foi superior ou inferior à dos professores?
Se foi inferior é sinal que, apesar de incultos, os professores tailandeses são competentes.
Se foi superior, além de incultos são incompetentes.
Um professor deve ser um guia. Deve dar ferramentas ao aluno para que ele possa evoluir por si e deve acompanhar o uso dessas ferramentas. Para isso não precisa obrigatóriamente de saber tudo aquilo que ensina. É muitíssimo mais importante dominar os métodos que os conteúdos.
José Mourinho, enquanto futebolista, foi uma nódoa, mas treina os melhores jogadores do mundo. Numa peladinha com eles, dificilmente conseguirá sequer tocar na bola.
Se Tiger Woods é o melhor jogador de golfe de todos os tempos, onde é que se vai arranjar um treinador que seja melhor que ele?
Quem terá sido o treinador do Michael Schumacher?
E o mesmo acontece nas artes...
Um professor é um orientador, um motivador para despontar as capacidades do aluno. Não precisa de ser uma enciclopédia.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

da antecipação dos pequenos prazeres


O Outono, se é que ainda existe Outono, é a minha estação favorita. Já escrevi sobre isso neste blogue e nunca deixarei de o fazer. Isto apesar de cada vez mais o Outono ser um ponto no calendário a anos-luz daquilo que em tempos aprendemos na escola primária.
Felizmente que os eternos ciclos da natureza vão continuando, à margem das alterações que o Homem impôs, a repetir-se ano após ano.
Embora me considere desorganizado e ferozmente procrastinador, sou em alguns temas um bicho de hábitos, de rotinas.
E das minhas rotinas de Outono, algumas começam ainda antes do Verão.
Uma delas começou hoje.
Durante o Verão começo a coleccionar e a preparar frutos para um dos mais sublimes prazeres das rotinas de Outono: os licores e as compotas. Por razões de alteração de hábitos de consumo, cada vez menos licores e cada vez mais compotas.
Faço a colheita, lavo, descaroço, parto e congelo, alperces, ameixas e framboesas. Apanho-os apenas quando estão na sua plenitude, por vezes apenas um ou dois frutos de cada vez.
Lá para Outubro começo a preparar os frascos, a estudar a alquimia dos aditivos, a lembrar-me de quais deram mais resultado. Tudo programado para as noites de fogão, jazz, charutos e cocktails que me ocuparão alguns serões mais frios. Não raro junto à mistura que se desenvolve no tacho, rum, whisky, vodka...
Só as laranjas das "marmalades", companhias soberbas de pequeno almoço e as tangerinas dos licores de casca e baunilha me tiram da rotina - Essas não podem ser congeladas. Essas "compotam-se" e "licoram-se" quando querem e estragam-me a rotina que abandono, deliciado, para as preparar.
Hoje apanhei as primeiras framboesas. E bem madurinhas que algumas estão. É só tocar-lhes e elas desprendem-se sem um ai, sem um queixume. Uma rotina que vai começar por ser semanal até chegar a diária lá para os finais de Julho.
Já me cheira a Outono, e que bem que cheira...

do pano


-Boa tarrdchi. Tem sunguinha tamanho Cê?
-Tamanho Cê não tem não. So si fô Dê!
-Pô, não vai dá! Si fô Dê fica largo...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

do Povo

Ontem dei por mim a meditar depois de ouvir um médico no Câmara Clara (RTP 2) a falar acerca do povo.
Antes tinha ouvido da boca da Paula Moura Pinheiro a definição que Jerónimo de Sousa forneceu de "povo" e, apesar de ele achar que só quem trabalha por conta de outrém e ganha pouco é que tem o direito de pertencer ao povo, não me surpreendi. Jerónimo de Sousa, a avaliar pelas suas palavras, obviamente que não pertence ao povo e como tal reconheço que terá um distanciamento maior que o meu para poder definir de modo mais rigoroso algo que para mim se limitaria a um mero "povo somos todos nós, sem excepção".
Mas voltemos ao tal médico que a dada altura, e entre muitas considerações que sinceramente achei sensatas e lógicas, se sai com uma tirada que rezava mais ou menos o seguinte: "As pessoas agora apresentam-se mais frequentemente nas consultas privadas porque algumas empresas incluem seguros de saúde nas regalias dos funcionários. A maior parte dessas pessoas não teriam dinheiro para o fazer se não fosse o seguro, mas mesmo assim reclamam imenso. Mais que aquelas que vão ao médico privado e pagam do seu bolso".
A minha primeira reacção foi achar que o senhor estava a ser pedante, confesso.
Mas depois ponderei, limpei a situação, procurei ver para além do óbvio, tentei estabelecer um paralelo com a minha actividade. E acabei por lhe reconhecer uma pontinha de razão.
De facto, os portugueses demonstram estar a perder o respeito por quem serve. Pé ante pé tem-se instalado no nosso povo um misto de arrogância e petulância que não tínhamos e que em nada nos engrandece. Reclamamos pelas coisas pequenas mas calamo-nos perante as grandes injustiças. Desprezamos o que achamos menos qualificado, temos vergonha de demonstrar respeito.
Nós não éramos assim.
Hoje fui jantar ao McDonalds e, como sempre faço, no fim peguei nos tabuleiros da familia e fui despejar o lixo como qualquer utente de qualquer McDonalds por esse mundo fora. Olhei à volta e a esmagadora maioria das mesas vazias tinha tabuleiros abandonados com lixo em cima. Era hora de ponta e a funcionária da limpeza tentava em vão pôr alguma ordem no caos. Devemos ser o único povo no mundo que age assim.
E o povo, repito, o povo somos todos nós, sem excepção.

domingo, 13 de junho de 2010

do Mingo


Hoje é doMingo.
O Irão prepara-se para enviar ajuda humanitária para de Faixa de Gaza, de barco, desafiando Israel a tentar impedir.
Israel, suspeito, não vê diferenças entre a Turquia e o Irão.
O resto do mundo vê!
A Coreia do Norte promete obsequiar Seul com um mar de chamas. Acha-se nesse direito porque não sabia que o barco que afundou tinha dono. Não compreende que o vizinho fique irritado.
Seul, numa avassaladora demonstração de força, coloca altifalantes na fronteira.
Se calhar, para matar os norte coreanos ao som de vuvuzelas. Boa estratégia.
Sou eu que sou picuinhas ou o mundo está um tudo nada desestabilizado.
Já telefonei ao Queiróz para (just in case) deixar ganhar a Coreia.
Respondeu-me que está a contar com isso.

sábado, 12 de junho de 2010

dos Blues de cá!


Como se o mundo acabasse.
E na rua, à chuva
A noite se dissolvesse em pó.
E os corpos vãos,
Acariciados pela lua cheia
Deslizariam por entre os candeeiros
Em coreografias de amor e luz.
Estendido pelas avenidas,
O som difuso da guitarra
Acordaria o marasmo dos semblantes suados,
Exaustos e ofegantes...
Nus, coados pela luz da lua
Eternos amantes e juras
E corpos colados.
E dor!
E o som,
Arrancado a ferros
À barriga da guitarra,
Geme.
E a noite escorre e vai embora.
E a chuva dá lugar ao sol.
E a luz do dia mata o fado.
Manhãs na calçada,
São folgo interdito para o pecado.


Pedro Costa 2010.06.12

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Tori Amos

da Vizinhança


O meu pai dizia muitas vezes que devemos dar-nos mais com os vizinhos que com a família porque se cairmos pelas escadas abaixo e partirmos um braço, são os vizinhos que nos valem.
A família nem sempre pode estar presente.
Nestes últimos dias, dias algo conturbados com a minha mãe hospitalizada, é reconfortante constatar que o meu pai tinha razão.
A vizinhança é uma força da natureza.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

do Koniec


"Todos nascemos com duas doenças incuráveis: a vida, doença da qual acabaremos por morrer e a esperança que nos engana quando tenta convencer-nos que a morte não é o fim."

Andrew Greeley

terça-feira, 8 de junho de 2010

António Manuel Couto Viana


A primeira e última vez que comi lebre em toda a minha vida, comi-a com míscaros, pão ensopado num molho grosso e acastanhado e um belíssimo tinto das encostas da Serra da Estrela.
Foi há perto de vinte anos e tive como companheiro de mesa um homem alto, de porte aristocrático, trato afável e cavalheiresco e uma cultura acima da média.
Estava-se em Trancoso, em pleno Inverno, e apesar do sol que brilhava, estava frio com o camandro!
Não como coelho, lebre, gato ou qualquer outro anfíbio semelhante por uma questão de princípio, mas naquele dia senti-me compelido a esquecer por uns momentos os meus régios princípios. Estava intimidado por me sentar à mesa com um dos mais prestigiados poetas portugueses e um gastrónomo de mão cheia. Estavam por lá também José Quitério, David Lopes Ramos e outros nomes das letras gastrosofais, mas foi este homem de semblante aristocrático que mais fascinou - afinal tinha sido ele que tinha escrito as introduções de todas as províncias retratadas no maior tratado de cozinha editado em Portugal - Cozinha Tradicional Portuguesa de Maria de Lurdes Modesto.
É verdade.
O homem a cujo conselho acedi comer lebre, era António Manuel Couto Viana.
Morreu hoje e Portugal ficou sem qualquer dúvida muito mais pobre.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

do "Eu gosto é do Verão"

(o boneco foi roubado do Facebook ao João Fernando Silva, sem pedir autorização)


Já plasmei (hoje estou a falar à político) nas linhas deste humilde pasquim a minha opinião acerca do local ideal para a realização do Carnaval de Verão.
Mas como não é com opiniões que o trabalho aparece feito, resta-me engrossar a fileira dos que não gostam, mas nada fazem para mudar.
Concomitantemente, e sem qualquer ponta de sarcasmo, desejo o maior sucesso para o desfile e para toda a animação associada.
E um abraço especial a quem desenhou o cartaz. Está fabuloso.

do Verdadeiro Prazer


video
(Video enviado pelo meu grande amigo Jorge Costa)

domingo, 6 de junho de 2010

da palavra

Um dos livros mais fascinantes que já li, 2001 Odisseia no Espaço, de Arthur C. Clark, narra a aventura de Dave Bowman, Frank Poole e do computador HAL 9000 em busca de respostas possíveis para a mais recorrente das perguntas - Estaremos sós?
A passagem do livro ao cinema em 1968 pelo mestre Stanley Kubrick levou a história a todo o mundo e acabou mesmo por ganhar o Oscar para a categoria de efeitos especiais.
Infelizmente, o filme ficou mais conhecido pelos bailados espaciais ao som de Strauss que pelo apurado sentido científico e de veracidade que povoa a obra que lhe deu origem.
Retenho para mim uma passagem do livro, já na parte final, quando Bowman vagueia pelo interior da casa que a inteligência alienígena construiu, com base na informação que sugou da nossa sociedade. Bowman entra numa sala, encontra uma embalagem de um alimento qualquer que reconhece, abre essa embalagem e dentro encontra apenas uma substância azul. Abre então outras embalagens de outros produtos e encontra sempre a mesma substância. Sinal evidente de que a superior inteligência alienígena tinha conseguido imiscuir-se apenas na aparência da nossa realidade e não no íntimo da nossa existência. Reproduziu as embalagens mas foi incapaz de reproduzir os conteúdos.
O filme não consegue mostrar a amplitude desta metáfora.
As palavras, às vezes valem mais que mil imagens.

sábado, 5 de junho de 2010

do ponto de vista

-Minha Senhora, uma esmolinha por favor. Não como nada há quatro dias...
-Há quatro dias? Ena! Isso é que é força de vontade.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Odetta

do diz-que diz-que


Diz-que antes de 1974 frequentava a fina flor da sociedade portuguesa nas colónias.
Diz-que depois de 1974 achou normal cuspir nos pratos que antes lambia.
Diz-que o vermelho da alcunha lhe veio de outros atributos que não apenas a ideologia.
Diz-que existem documentos que o colocam em posições desconfortáveis.
Diz-que desceu hoje e que o mundo nem por isso ficará pior.
Diz-que, que eu disso não sei nada.

do Milagre?


O Zeferino esteve a beber até o bar fechar.
Como era o último cliente, o funcionário informou-o que iam fechar e que
ele tinha que sair.
Levantou-se e caiu no chão...
Tentou novamente levantar-se e caiu novamente.
Optou por se arrastar até à porta do bar.
Tentou levantar-se novamente e voltou a cair.
Já na rua tentou levantar-se e voltou a acontecer o mesmo: caiu!
Foi assim para casa, tentando levantar-se e caindo sempre.
Já em casa e pela manhã a esposa comentou:
-Ganda bubadeira ontem à noite!
-Ó porra e como é que sabes que eu ontem cheguei bêbado?
-Telefonaram do bar. Deixaste lá a cadeira de rodas...

terça-feira, 1 de junho de 2010

Pergunta de algibeira

Por onde andaria a famosa lucidez do Dr Mário Soares na últimas eleições presidenciais?
Teria feito um jeitaço ao Ps, à época.
Se essa lucidez não tivesse feito gazeta nessa altura, o PS não teria apoiado um candidato que lhe garantiu apenas um terceiro lugar e um embaraço do tamanho de uma camioneta de carreira.
Não é que isso me interesse.
Até gostei...

do descalabro


Segundo o secretário de Estado da Administração Local, existem em Portugal 30 autarquias falidas - 10% do total.
O problema é transversal a todas as forças políticas e manifesta-se em autarquias de todas as dimensões.
Ainda segundo José Junqueiro, houve um aumento do défice das autarquias entre 2008 e 2009 de 228%.
Mas afinal este país está entregue a quem?
A Administração Central, têm aparecido os números a conta-gotas, continua a gastar à tripa-forra como se não houvesse amanhã.
Mesmo com a diminuição do número de funcionários públicos, os gastos com o pessoal continuam a aumentar.
As despesas com o sector da saúde estão descontroladas.
A Administração Fiscal anda à cata de migalhas entre os desgraçados que não conseguem fugir.
O nosso Primeiro Ministro utiliza o erário público para ir pedir autógrafos ao cantor Chico Buarque e ainda se gaba disso.
Com este novo aperto fiscal, as empresas têm cada vez mais dificuldade em respirar.
O desemprego bate diariamente níveis históricos - em Abril quebrou-se mais um record.
Felizmente começa hoje a época balnear e os jornais vão encher-se de passatempos e de inquéritos aos famosos e bonitos deste país.
Vão começar as festas e os festivais de música.
A Africa do Sul vai animar-nos ao som das vuvuzelas e dos três jogos que a selecção de futebol já tem agendados. Pelo menos esses tem que os jogar.
Viva o Verão e há que aproveitar porque a tanga deixa menos marcas no bronzeado que os shorts.
Se a coisa piorar, podemos sempre recorrer às praias de nudismo.
Alguém pensou atempadamente nessa possibilidade, jogou na antecipação e já regulamentou a sua utilização.
Uns previdentes, estes rapazes.