terça-feira, 30 de setembro de 2008

The policy of the politics

Em português, policy e politics traduzem -se pela mesma palavra (política), embora o seu significado seja completamente diferente.
Policy quer dizer conjunto de procedimentos instituídos (é política da empresa...) e politics quer dizer política no sentido mais lato da palavra.
Mesmo com o mundo a desabar em seu redor, os profissionais da política (politics) nunca se esquecem que existe uma política (policy) a seguir: ganhar a qualquer custo.
Com as eleições à porta, os políticos americanos deixaram de ver a realidade como nós a conhecemos e passaram a ver a realidade eleitoral.
Nesta altura do campeonato, ser qualquer coisa que se pareça com próximo de George W. Bush, é pior que ter lepra. Há eleições para ganhar daqui a meia dúzia de semanas e palavras como crise económica, colapso, recessão, são termos que só ficam bem colados às costas do actual presidente e da actual administração.
Os Repúblicanos querem dar a entender que nunca apreciaram o homem que puseram no poder duas vezes seguidas (sempre de forma "estranha") e os Democratas querem cavalgar a onda e passar entre os pingos de uma chuva que diz que muitas das leis que permitiram tudo isto foram aprovadas durante a administração Clinton.
Neste particular, a América não tem inocentes para mostrar. Tinha um plano ao qual alguém ousou chamar comunista e isso foi suficiente para deixar de ser plano.
Quem se ri é o Chavez, o Morales e o Lula. E desta vez têm razão.
Não que o capitalismo esteja moribundo porque o capitalismo é a essência da sobrevivência e como não foi inventado há-de reinventar-se e fortalecer-se.
O capitalismo não está moribundo, apenas ferido, mas a América está de joelhos e isso, por muito que nos possa custar dizer, não é nada bom.
Para ninguém...

Como nos bancos já não há dinheiro...

"Toxicodependente assalta PJ.
O individuo de 31 anos escalou o edifício da Direcção Central de Combate ao Banditismo e roubou computadores e uma arma de fogo, tendo sido detido em seguida. "

Expresso online

domingo, 28 de setembro de 2008

"E nunca se esqueça de usar protector solar"

"Meninas"

O Sporting levou duas secas na Luz.
É uma vergonha, fomos roubados. Jamais concordarei com o resultado porque essa deve ser a primeira condição do verdadeiro adepto (e eu nem sou dos mais fervorosos).
Para o verdadeiro adepto (torcedor em brasileiro e, se calhar, segundo o novo acordo), o clube pertence ao coração e ganha sempre bem do mesmo modo que perde sempre mal e acima de tudo, espoliado.
Ao verdadeiro adepto, deve ser sempre possível ver o jogo a preto e branco (ou verde e branco ou vermelho e branco ou azul e branco): de um lado nós, do outro o inimigo e, pelo meio, um homem de negro que personifica o Mal!
O adepto deve pôr no seu clube, e em cada jogo, toda a sanha, toda a paixão irracional que lhe brota do peito para assim ficar equilibrado com o cinzento reprimido do dia a dia.
O apito final é a catarse do adepto e o comentário mera reminiscência da paixão.
Na conferência de imprensa, Paulo Bento diz que o Benfica foi um justo vencedor, pena que tenha sido por tantos.
Na conferência de imprensa, Quique Flores diz que não foi nada justo vencedor porque na primeira parte a coisa esteve tremida.
De repente, se um extraterrestre aterrasse no estádio da Luz (para acabar de pintar aquilo, ou melhor para arrasar o trambolho), ficaria sem saber quem é o treinador de quem.
O mundo anda estranho...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

O Eco da cultura


O grupo de teatro Fatias de Cá, de Tomar, vai retomar a representação da sua adaptação da obra de Umberto Eco, "O nome da Rosa".
O cenário será, mais uma vez, o Convento de Cristo, cenário esplendido!
Para quem não sabe, os Fatias de Cá têm uma forma muito interessante de representar que inclui uma grande interacção com o público, parte integrante do espectáculo e não mero espectador da peça.
No final há paparoca para todos.
Quem quiser saber mais vá a www.fatiasdeca.net

Chico & Caetano juntos e ao vivo



Uma pequeníssima amostra de um dos maiores albuns da música popular brasileira. Competiu com o disco da Elis ao vivo no festival de jazz de Montreux como banda sonora daquele que foi provavelmente o Verão mais alucinante da minha vida. No Porto, em 1988.
Conheci gente tão fascinante como um médico que me extraiu uma espinha da garganta e me mandou ir beber uma caneca de cerveja para tirar as dores -ensinamento que me ficou para a vida- ou como um bêbado, tão bêbado, que nos bateu no carro de motorizada e adormeceu em cima do capot. Até de manhã...
Sempre em parelha com o meu amigo Marco que me carregava para casa nos dias impares enquanto eu o carregava nos dias pares. O Marco zangou-se com a vida e já partiu (de mote próprio) em busca do paraíso que nunca conseguiu encontrar cá pelo planeta.
Desejo que esteja finalmente em paz.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Rometa & Julieu


A escola está cada vez mais aberta à comunidade.
Tem sido feito um grande esforço no sentido de chamar ao convívio em ambiente escolar os parentes mais próximos dos alunos, com o intuito de promover uma frutífera sinergia entre ambos: família e escola. Festas, aberturas solenes de aulas, croquetes e bussaquinas.
Nos dias de hoje esta aproximação permite, além de todas as outras vantagens, um extra de suprema importância para quem quer acompanhar as novas tendências. Uma relação bilateral que por um lado permite à escola identificar in loco a proveniência de algumas das taras que os meninos transportam consigo e por outro lado permite aos progenitores mais afoitos ficarem a conhecer quais os caminhos que terão de percorrer quando resolverem deslocar-se à escola para dar um par de lambadas a algum professor mais rígido e arreigado às chamadas regras do antigamente, vulgo educação.
Esta intimidade transporta consigo alguns riscos. O pessoal (família) tende a esquecer-se que é apenas convidado da escola, tende a esquecer-se que a escola é autónoma em praticamente todos os seus procedimentos e tende principalmente a esquecer-se que a vida em comunidade, por vezes, acarreta cedências. Manda o bom senso que quanto mais cedo os meninos tiverem acesso a essas realidades, mais facilmente se integram na sociedade. Nem o Senhor de La Palisse diria melhor!
Constou-me que corre neste momento um braço de ferro entre uma das escolas do primeiro ciclo do concelho da Mealhada e o diligente encarregado de educação de uma menina que começou agora a frequentar o primeiro ano. Parece que a menina foi colocada numa turma diferente de um colega que a acompanha, alegadamente, desde o berço e por quem nutre uma grande afeição. Ao que consta, a dilacerante separação terá ocorrido por acaso e não por qualquer outra razão de cariz mais intrincado. Mesmo assim, as duas crianças continuam na mesma escola e nada as impede de, na hora e no espaço próprios para o efeito, poderem continuar a conviver como sempre o fizeram e lhes assiste o direito. A escola não deu procedência ao pedido (pelo menos por agora, suspeito).
Mas o encarregado de educação não desarmou nos seus intentos e, alegadamente, terá apresentado em desespero e como argumento último o facto de os pirralhos serem namorados praticamente desde que nasceram.
Assume-se então que, para esta personagem de opereta (que eu não faço a mínima ideia quem seja), mais do que poderem trocar olhares lascivos e fugazes palavras apaixonadas no devassado espaço do recreio, deve ser assegurado aos nubentes o recato da sala de aula (preferencialmente em cadeiras contíguas) para fazerem florescer o que de mais lindo existe no mundo: o Amor.
É bem…mas ridículo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Greco 1967 (Grand Cru)

Redacção


Eu gosto do Outono. No Outono os dias começam a ficar mais pequenos e de manhã está frio. O Outono é a estação das colheitas. Começam a cair as primeiras chuvas e as andorinhas vão-se embora em busca de um clima mais ameno. No Outono começa a escola.
E sabem o que me trouxe o Outono? Sabem?
Tão certo como o dia seguir a noite, tão certo como a noite seguir o dia, o Outono trouxe-me, hoje mesmo, e pela última vez (diz ele, espero que minta), o meu amigo Professor Vladimir Vondrak que veio desde a República Checa com um caixote de garrafas de meio litro de Kosel debaixo do braço, a cerveja de contornos bíblicos.
Se não contasse isto, rebentava!

Ó tonno mio...


O tom do teu chegar
Raspa mansinho os sois
Poentes de vermelho vivos.
Ocres de lábios carnudos, sumarentas horas.
D'entre as árvores de lúcidos prantos,
Desfilam naturezas mortas
E pinturas em tom de Terra,
Choram bátegas de paixão…
Ondas de aves indolentes
Trepam o horizonte ao céu
Buscando no infinito a vida.
Odes e cantigas
E quietas melancolias
Fundas, secas, vãs e frias
Frutas maduras, brisas esguias…
Às despedidas ocas, muitas vazias
De fulgores e paixões adormecidas
Errantes
Fugidias e bacantes,
Eternas refugiadas
Do denso calor do Verão.
Anónimo, sec XXI

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Bom fim de semana para vocês tambem


É mesmo Hanna Schygulla, a menina bonita de Fassbinder, que completa com Dame Helen Mirren, o par de actrizes mais talentoso do cinema europeu.

O IC19 em hora de ponta

video

Robert Kubica e Felipe Massa no GP do Japão

(video enviado pelo meu amigo Luis Carlos)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Coltrane Vanilla Ice (or not)



Este lusco-fusco de final de Verão em que de manhã está frio, à tarde calor e à noite humidade é a antecâmara da Estação da Produção. Aquela Estação do colorido único, dos entardeceres com pose de postal e daquelas manhãs rijas em que apetece tomar um cafézinho numa esplanada com um agasalho ligeiro.
Habitualmente salivo de antecipação pelo Outono. É superior a mim!
No Outono usa-se o meio termo. O dia é errante e tanto pode ser quente como frio. É o mistério da vida a palpitar.
Vodka.
O mais puro dos espirituosos.
A bebida base do Outono.
Pura e cristalina como a água gélida das nascentes.
Vodka de baunilha, café e chantilly...
E umas raspas de chocolate.
Depois do almoço para aconchegar.
Se estiver calor, será de bom tom tirar uma bica antes do almoço, açucará-la convenientemente (um pouco mais que a dose) e deixá-la a descansar. No final do repasto coloca-se gelo no shaker, o café já frio, um bom trago de vodka de baunilha (aromatizada com) e uma esguichadela generosa de chantilly em spray. Bate-se o shaker e serve-se numa taça de cocktail previamente gelada. Para decorar, raspa-se com uma faca um bocadinho de chocolate em tablete.
Se estiver frio, tira-se a bica no final do almoço, adoça-se como anteriormente e verte-se para um copo pequeno e resistente entretanto aquecido com água. Vodka por cima e finaliza-se com o chantilly em forma de artistica poia mailas raspas de chocolate. As quantidades são à vontade do freguês e afinam-se com a experiência (não convem treinar muitos no mesmo dia).
Este paleio todo porque comprei uma garrafa de vodka de baunilha para experimentar e descobri que só se consegue beber simples (não aprecio) ou nos preparos acima descritos.
Enaltecido com um Romeo y Julieta Mille Fleurs, não há tarde que me tire do sofá.
Entretanto, e porque nada se deve estragar, é bem comer-se o resto do chocolate.
E ouvir o Coltrane porque faz bem ao intelecto; torna-nos espertos!

A grandeza do inevitável

O Parque Nacional Yellowstone, nos Estados Unidos, está situado sobre um lago de lava com sessenta quilómetros de comprimento por quarenta quilómetros de largura, o que faz dele um dos maiores vulcões do mundo. Está teoricamente adormecido, mas bufa diariamente milhões de metros cúbicos de vapor e de água quente em centenas de geisers imponentes.
Segundo os cientistas, se entrasse em erupção cobriria toda a atmosfera terrestre com um manto de poeira suficientemente densa e perene para criar um Inverno Nuclear de vários anos. Os
suficientes para simplesmente extinguir, se não todas, pelo menos a grande maioria das formas de vida da face da Terra.
Tudo indica que, ao longo da sua já provecta idade, terá entrado em erupção de forma mais ou menos ritmada, de sessenta em sessenta milhões de anos.
Pelos cálculos existentes, a próxima erupção já deveria ter acontecido há cinquenta mil anos, que é o mesmo que dizer que a vida na Terra já deve pelo menos cinquenta mil anos à cova.
Não sei se é da idade, mas cada vez admiro mais estas pequenas grandezas do mundo que nos rodeia e que não dependem de nós absolutamente para nada.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Ozzy

A função social

-Já o mantivemos na empresa durante quase um ano depois de se reformar. Temos que o substituir.
-O homem recebe quarenta contos de reforma e tem um filho com quinze anos para criar. Deixe-o ficar mais uns tempos.
-Tu sabes que isto não é a Santa Casa...
-Mas ele também só é vosso empregado durante a semana e eu lembro-me de o ver muita vez a trabalhar para o seu paizinho e para o seu tio ao fim de semana. Nunca virou a cara ao trabalho. Ou já se esqueceu das vezes que ele o foi levar a Coimbra de madrugada às aulas.
-Vou pensar no assunto...
Este diálogo é verídico. Foi-me contado por um dos dois intervenientes há cerca de vinte anos.
O reformado ainda é vivo. Trabalhou mais meia duzia de anos, sempre competente e disponível, e acabou de criar o filho que é hoje um pai de familia.
O gestor era por essa altura um rapaz inexperiente e inseguro com uma empresa nas mãos e sentia diariamente o nascer das tensões naturais entre o que tinha aprendido na Faculdade e uma coisa comezinha mas sempre presente e pesada que se chama realidade. É hoje um administrador de sucesso e a sua empresa uma das sete maiores no seu ramo em Portugal.
O homem que o aconselhou nunca chegou a reformar-se: morreu antes disso, mas trabalhou até ser vencido pela doença.
Penso que o reformado nunca teve conhecimento desta conversa.
Às vezes são pensamentos como estes que nos conseguem abstrair da realidade.
Recordar histórias com nuances de paradigma e finais quase felizes, ajuda-nos a quase compreender a gesto de muitos gestores e técnicos superiores de multinacionais que ultimamente têm engrossado o caudal dos suicídios no mundo dito civilizado.
Tudo em nome de objectivos que não conseguiram passar disso mesmo... apenas objectivos!

domingo, 14 de setembro de 2008

O pior de dois mundos

É notória a aposta do actual governo na formação profissional como um dos métodos mais eficazes para o combate ao abandono escolar e à baixa qualificação dos portugueses. É notório que as escolas estão a aderir em massa. É provável que por este andar, e mercê das facilidades concedidas, um dia destes não haja alunos no ensino dito regular.
Tanta farturinha acabou por levantar algumas questões, muitas delas antigas, acerca do funcionamento da formação profissional.
Na semana passada foram divulgados os resultados de um estudo que, entre algumas coisas bastante interessantes, pôs a nu uma realidade conhecida por quem se move no meio, mas não do domínio do grande público: praticamente não existem manuais adaptados aos cursos de formação profissional.
Se falarmos das chamadas disciplinas técnicas, então pode até tirar-se a palavra "praticamente" da frase.
Como resultado disso, os formadores distribuem textos de apoio na forma de fotocópias de obras de referência, obviamente sem autorização dos autores, comportamento punível pelas leis dos direitos de autor.
Relembro que tudo isto acontece porque não há manuais para as ditas disciplinas.
Só para não nos perdermos do assunto.
Para as disciplinas do ensino dito regular, existem manuais. Para todas!
Segundo um outro estudo feito pela revista Sábado, publicado na sua edição de 11 do corrente e profusamente ilustrado com exemplos práticos comentados por historiadores, sociólogos, professores universitários e outros técnicos de variados quadrantes politico-partidários, os manuais escolares contêm erros (já sabiamos), imprecisões históricas gritantes, visões distorcidas de factos e, ainda mais aterrador, uma notória inclinação para a catequisação dos estudantes. Vão ler que vale a pena.
Resta saber agora o que será pior: fotocópias de obras de referência (ilegais) ou súmulas de ideologia(aparentemente legais)?

terça-feira, 9 de setembro de 2008

O ençino


Aprender dá trabalho. Evoluir dá trabalho. Crescer dá trabalho. Estudar dá trabalho. Quem pensa o contrário está obviamente errado, como errado está, colocar pessoas que assim pensam em lugares onde podem condicionar terceiros às suas ideias alucinadas.
Todos sabemos que há quem tenha chegado longe sem trabalho e quem se farte de trabalhar sem nunca chegar a lado nenhum. São tropeções da vida que, na sua maioria, nem os próprios conseguem controlar. Mas são acasos: nunca serão caminhos!
O esforço deve ser compensado, mesmo que não exista castigo para os relapsos. A busca do saber deve ser um objectivo próprio, íntimo, umas vezes posto ao serviço do próprio individuo, outras ao serviço da comunidade. Todos devemos ter prazer em aprender, também porque com isso poderemos ir mais longe, mas acima de tudo porque nos enriquecemos, porque nos tornamos melhores pessoas, porque conseguiremos assim interagir mais com o mundo que nos rodeia.
Se à família compete educar (e nisso muitas falham muito), à escola compete formar.
É na escola que se constrói muito do nosso carácter. A escola permite um conjunto de experiências que a família não consegue proporcionar: o contacto com o outro que tem uma experiência de vida diferente, a interacção com o formador que a ambos enriquece, a interiorização de uma certa dose de disciplina e vida em comunidade que só mais tarde revelará a sua importância na vida das pessoas.
Mas a escola está moribunda.
Renderam-na à estatística do abandono escolar, à crueza dos números da taxa de analfabetismo (que desceu, dizem, enquanto sobe a da iliteracia) e ao ilusionismo dos iluminados que julgam que a tecnologia substitui o cérebro humano. Os alunos levam injecções de formol no cérebro desde que entram no “sistema”.
Com o intuito de combater o abandono escolar e de introduzir à força competências nos curricula insípidos dos meninos, tudo se faz para que não se melindrem. Não chumbam por faltas, quase não chumbam por terem más notas (reter um aluno dá muito mais trabalho e chatices que deixá-lo seguir a sua vidinha descansado), não são penalizados pelos continuados desrespeitos e ocasionais açoites que diligentemente distribuem por colegas, professores e funcionários (são até defendidos pelos paizinhos que habitualmente são mais mal educados que os próprios meninos), em suma, são levados ao colo para não se sabe bem onde!
Olha aqui um gajo de extrema-direita, dirá o leitor mais atento.
Mentira!
Reporto-me apenas a conversas com alunos que efectivamente estudam, que efectivamente trabalham e que não se conformam por saber que há colegas provenientes dessas tais injecções de competências (novas oportunidades e similares) que os ultrapassam pela direita e em manobras de chico-espertice chegam às faculdades sem nunca terem feito “a sério” mais que o nono ano. Alguns entrando em cursos de média elevada pela porta ambígua de certos contingentes especiais.
E o maior problema é que o próprio ensino superior público, baluarte do saber e travão da incompetência, também já está bichado: a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra tem Mestrados para pessoas sem qualificação académica. A quinhentos contos cada um.
Toma e embrulha e actualiza-te, Pedro Costa, porque o mundo, como tu às vezes dizes, anda para a frente e não para trás.

O fascinante território

sábado, 6 de setembro de 2008

A cidade do Pego

Escreveu em tempos, numa crónica, o historiador Vasco Pulido Valente que ia um dia a sair de casa quando se cruzou com uma brigada da companhia dos telefones. Preparavam-se para uma intervenção que envolveria um buraco no passeio.
O escritor dirigiu-se àquele que lhe pareceu ser o responsável da equipa e, num gesto que na altura pensou ser de cidadania, informou-o de que mais ou menos por aqueles lados, estavam enterrados cabos da companhia da electricidade.
Perante o expectável olhar de desdém com que foi presenteado, não se desmanchou e teve que provar que o que dizia era verdade: simplesmente tinha assistido da sua varanda ao "enterranço" dos cabos por parte da EDP.
Sossegaram-no, falaram-lhe de planeamento e competência técnica, mandaram-no em paz e abriram o buraco.
O bairro esteve sem electricidade durante quase dois dias!
Isto passou-se em Lisboa.
Aparentemente, faz parte do bulício da vida citadina esta indiferença dos "técnicos" em relação à opinião dos "experientes".
Nas cidades, os avisos e opiniões da populaça devem ser dirigidos por escrito ao gabinete competente que deliberará a seu (deles) tempo sobre a oportunidade do comentário; jamais oralmente aos "técnicos" no terreno.
Mais ainda porque nas cidades a maior parte das pessoas que andam a abrir buracos na via pública não fala a mesma língua dos indígenas.
E ainda dizem que não se vê grande diferença entre a Mealhada vila e a Mealhada cidade.
Vão falar com as gentes do Pego que notam logo a diferença.
Post Scriptum: não ficaria bem com a minha consciência se não desse aqui os parabéns ao presidente da Junta da Freguesia da Vacariça pela auto-estrada que abriu no caminho da Ribeira no Travasso. Parabéns sinceros porque uma vez ia lá atropelando o Quim Raio quando se estatelou em frente do meu carro devido (tenho quase a certeza) às inconstâncias do pavimento enquanto serpenteava no escuro em busca do melhor trajecto que o levasse a casa.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Goldfrapp

Number five


“What do I wear in bed? Why, Chanel No. 5, of course.”
Na frase mais erótica do século XX, Marilyn Monroe resumiu todo o esplendor do clássico criado em 1921 por Ernest Beaux para Gabrielle Chanel, Coco para os admiradores!
Número cinco porque foi a quinta amostra do lote aquela que Coco Chanel escolheu, dizem os biógrafos e número cinco porque era o número da sorte de Chanel, diz o mito.
E o mito mantém a aura que desde o primeiro dia ousou libertar. O frasco Art Deco e o rótulo tão simples que por isso se tornou eterno, ainda hoje brilham no Olimpo das fragrâncias não consumíveis.
E agora também no das fragrâncias consumíveis.
Passaram cerca de cinquenta anos sobre a última grande homenagem a este imperturbável ícone e eis que um talentosíssimo barman londrino pretende escrever a história com o mesmo arrojo que Marilyn Monroe usou ao confiar ao mundo a sua intimidade.
O Champagne Cocktail No.5 é o resultado de um meticuloso trabalho de pesquisa que, diz quem provou, não fica a dever nada ao Chanel original.
Deposita-se no fundo de uma taça de champagne um cubo de açucar impregnado com os aromas que compõem o perfume (Ylang Ylang, Rosa de Maio, Jasmim, Neroli (aroma cítrico), Vetiver, Sandalo e Baunilha) e preenche-se com um qualquer Dom Pérignon que esteja por ali à mão.
Ao contrário dos usados no perfume, os aromas são inócuos ao consumo humano, daí o cuidadoso trabalho na sua síntese.
As taças são personalizadas com um rótulo muito semelhante ao do perfume e deve esperar-se que o cubo de açucar se dissolva em finíssimas bolhas carregadas de perfume para só depois se degustar.
Pode soar a provincianismo, mas considero isto muito mais sofisticado do que a última moda dos novos-ricos do Leste da Europa que se pavoneiam na Riviera Francesa e que queimam notas de 500 euros depois de as terem utilizado para inalar cocaína (ou não) nas suas festas particulares.

O novo Seinfeld

Segundo o presidente da BP portuguesa, a diminiução do preço do petróleo não é argumento suficiente para baixar o preço dos combustíveis. Sabemos que está a gozar connosco, mas fazemos de conta que não percebemos para não ficarmos ainda mais deprimidos.
Por outro lado, vir dizer que os combustíveis vão aumentar porque as petrolíferas precisam de fazer frente aos prejuízos causados pelos assaltos e pelos artistas que fogem sem pagar, chega a ser ofensivo.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Não conformidades

"Si você colocá um marrtelo na mão dchi uma criança, o mundo inteiro vira prego!"
Li esta frase no rodapé de um artigo de uma revista Seleções (só com um c) do Reader's Digest quando ainda nem havia edição portuguesa. Muito provavelmente há mais de 30 anos. A frase estava obviamente bem escrita, o exagero é para demonstrar que era a edição brasileira.
E porque é que eu me lembrei hoje desta frase?
Simples.
Porque a A.S.A.E. encerrou o refeitório do Parlamento. (eheheh...perdão!)
Minto!
Porque a A.S.A.E. visitou anteriormente o refeitório do Parlamento, detectou não conformidades e ninguém se lembrou de fazer as correcções necessárias durante o periodo de férias. À boa maneira portuguesa, como convém a um Parlamento que pretende representar o povo que o suporta (suporta, aqui, tem duplo sentido), esperaram que viessem os fregueses para fechar as portas.
Mas a história do martelo é mais profunda.
Ao contrário da grande maioria dos portugueses, eu acho que a estratégia de elefante em loja de porcelanas adoptada pela A.S.A.E. não nasceu da cabeça do seu presidente António Nunes. Tenho uma inabalável convicção de que se trata apenas do homem com o perfil certo, procurado e recrutado por quem criou o "martelo".
António Nunes será, neste particular, a "criança" a quem os verdadeiros responsáveis entregaram o "martelo".
A grande questão é que, ao longo do percurso, juntamente com marteladas certeiras, inteiramente justas e merecidas por quem as levou, houve bastantes que bateram ao lado. Muitas mesmo.
E os senhores que criaram o "martelo" continuaram a assobiar para o lado enquanto a "criança" era queimada na praça pública, assumindo o carácter repressivo do organismo e assegurando o serviço com zelo.
O "martelo" começa agora a ficar mais civilizado, mais cooperante com expressões como tradição, uso ou costume e, pasme-se, mesmo assim ainda consegue combater com eficácia os atentados à saúde pública. Só podemos perguntar porque é que não foi assim desde o início.
E porque o seu perfil começa a estar desajustado, porque não entregar a António Nunes, não um novo "martelo", mas uma marreta e colocá-lo a liderar o combate ao crime violento. Tenho a certeza que faria um bom lugar pois cheira-me que além de saber ser forte com os fracos, também saberá ser forte com os fortes.
Acho eu...

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Pacheco, o maior!

Sincera e muitíssimo sentida homenagem.

Hoje, porque sim! Nada a acrescentar.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Recriando a História

Presume-se que durante os 28 anos que durou o muro de Berlim, houve cerca de 75.000 pessoas que o tentaram transpor de lá para cá: algumas conseguiram, outras foram mortas mas a sua grande maioria acabou nas prisões da ex RDA.
Não há grandes notícias de quem tenha tentado passar de cá para lá, mas tenho a certeza que, a existirem, bastou ajustarem-lhes a medicação para que tenham desistido.
Falo do muro porque a Alemanha (com a ajuda da U.E.) vai agora gastar 2 milhões de euros a recuperar algumas partes propositadamente deixadas de pé por conterem obras de alguns pintores consagrados e que se encontram vandalizadas.
Em contrapartida, lá para os lados da Ossétia do Sul e da Abkhazia, parece que alguém está a fazer o mesmo. E também para preservar a memória... digamos que para a manter fresca.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Leg godt


(link gentilmente cedido por António Pedro Costa)

Fico sempre maravilhado com a capacidade que a Lego tem para se adaptar às reviravoltas do mundo dos brinquedos.
Herdou esta capacidade do seu criador, o dinamarquês Ole Christiansen.
Christiansen teve uma vida recheada de contrariedades às quais reagiu sempre com uma fé inabalável nas potencialidades das suas pedrinhas de construir que começaram por ser de madeira e foram sempre evoluindo até serem hoje apenas virtuais.
Conheço o Lego desde que me conheço a mim próprio. Um brinquedo que se transformava à medida da nossa imaginação.
Depois do básico, do Duplo, das série temáticas, do Technic e do fabuloso Mindstorms que explora os territórios da robótica, a Lego introduziu-se na era digital com as séries Bionicle, Star Wars e, mais recentemente, com o fantástico Indiana Jones.
Este video foi indicado pelo meu filho que já me cobrou o favor.
Um dia, um cliente espanhol disse-me o seguinte: "Um filho, quando quer alguma coisa, moi mais que um par de sapatos apertados".
Sensato e sábio, o espanhol.


A traição

Pablo Picasso expressou em vida a vontade de que o quadro "Guernica" só voltaria a Espanha quando o país voltasse a ser uma república.
Picasso morreu em 1973 e em 1981 o famoso quadro já estava em solo espanhol.
Alegaram os herdeiros que onde ele dissera república se devia ler democracia.
Trairam a vontade, a memória e o génio de um dos maiores pintores do seculo XX.