quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Socialismo pré Socrático


Clement Attlee, membro do Partido Trabalhista inglês, era o principal adversário e antagonista do governo de Winston Churchill. Acabaria inclusivamente por derrotá-lo tempos depois.
Os dois líderes frequentavam o mesmo mictório no Parlamento Inglês e, sempre que Churchill entrava no local e se deparava com Attlee, corria e trancava-se numa cabine individual.
Aborrecido com a situação que já se tinha repetido algumas vezes, um dia Attlee agarrou Churchill pelo casaco e perguntou:
-Winston! Somos apenas adversários políticos. Não há inimizade pessoal. Eu admiro-o e as nossas famílias privam habitualmente. Como consegue ser tão rude comigo?
Respondeu Churchill de imediato:
-Somos amigos pessoais, é verdade, mas no mictório não quero conversa, porque vocês socialistas, quando vêem uma coisa grande e que funciona bem, querem logo nacionalizá-la!

:) :) :)


A recordação mais antiga que tenho da televisão é este anúncio.

Este fim de semana não há blogue

Tenho que deslocar-me a Lisboa, ao cemitério dos Prazeres, para homenagear os mortos.
Como o cemitério é enorme, vou já amanhã e só venho Domingo à noite.
Vou sozinho, em introspecção, porque há alturas do ano em que temos de nos entregar à dor...



terça-feira, 28 de outubro de 2008

Info-exclusão, a praga do sec XXI


-Ó mãe!
-Sim meu lindo.
-Eu queria um Magalhães.
-Para quê minha flor?
-Para ir para a escola.
-E não podes ir de autocarro como os outros meninos?

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Nem sempre, meu caro Walt, nem sempre...

"Um charuto tem geralmente uma chama fumarenta numa ponta e um janota cintilante na outra"
Walt Whitman

Se fosse um quadro chamar-lhe-ia Outono!

(Pedro Costa- Parque Dr Manuel Braga - Nokia N70)
Maravilhosos aparelhos os deste maravilhoso mundo novo que conseguem falar, ouvir, tirar fotos e privilegiar-nos com o Miles Davis a tocar o "My Funny Valentine" em privado. Tudo ao mesmo tempo e sem hesitações.
Estamos encantados e somos privilegiados.
Nunca fomos tão auto-suficientes como hoje.
Um assombro que nos permite todo o tipo de estravagâncias.
E comunicamos - nunca comunicámos tanto.
Tanta experiência trocada, tanto sussurro espalhado pelo mundo inteiro, tanta vida partilhada. Quantas saudades terão os nossos antepassados de não viverem no nosso tempo: saudades do futuro!

Katie

A Terra não é nossa, foi-nos apenas confiada pelos nossos descendentes.

video

(Video enviado pela minha amiga Filipa Varela)

sábado, 25 de outubro de 2008

O Casimiro e as termas


Estimado ouvinte, já que agora estou consigo
Peço apenas dois minutos de atenção
É pra contar a história de um amigo
Casimiro Baltazar da Conceição
O Casimiro, talvez você não conheça
a aldeia donde ele vinha nem vem no mapa
mas lá no burgo, por incrível que pareça
era, mais famoso que no Vaticano o Papa
O Casimiro era assim como um vidente
tinha um olho mesmo no meio da testa
isto pra lá dos outros dois é evidente
por isso façamos que ia dormir a sesta
Ficava de olho aberto
via as coisas de perto
que é uma maneira de melhor pensar
via o que estava mal e como é natural
tentava sempre não se deixar enganar
(e dizia ele com os seus botões:)
Cuidado, Casimiro
cuidado com as imitações
Cuidado, minha gente
Cuidado justamente com as imitações
Lá na aldeia havia um homem que mandava
toda a gente, um por um, por-se na bicha
e votar nele e se votassem lá lhes dava
um bacalhau, um pão-de-ló, uma salsicha
E prometeu que construía um hospital
Uma escola e prédios de habitação
e uma capela maior que uma catedral
pelo menos a julgar pela descrição
Mas... O Casimiro que era fino do ouvido
tinha as orelhas equipadas com radar
ouvia o tipo muito sério e comedido
mas lá por dentro com o rabinho a dar, a dar
E... punha o ouvido atento
via as coisas por dentro
que é uma maneira de melhor pensar
via o que estava mal e como é natural
tentava sempre não se deixar enganar
(e dizia ele com os seus botões:)
Cuidado, Casimiro
cuidado com as imitações
Cuidado, minha gente
Cuidado justamente com as imitações
Ora o tal tipo que morava lá na aldeia
estava doido, já se vê, com o Casimiro
de cada vez que sorria à plateia
lá se lhe viam os dentes de vampiro
De forma que pra comprar o Casimiro
em vez do insulto, do boicote, da ameaça
disse-lhe: Sabe que no fundo o admiro
Vou erguer-lhe uma estátua aqui na praça
Mas... O Casimiro que era tudo menos burro
tinha um nariz que parecia um elefante
sentiu logo que aquilo cheirava a esturro
ser honesto não é só ser bem falante
A moral deste conto vou resumi-la e pronto
cada qual faz o que melhor pensar
Não é preciso ser
Casimiro pra ter
sempre cuidado pra não se deixar levar.

Sergio Godinho (Album Campolide 1979)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Red Shoes

Mimos

Os dias são cada vez mais curtos para a enormidade de coisas que temos para fazer. Seria pertinente que a evolução nos permitisse conseguir ter necessidade de menos horas de sono com o fito de libertar tempo para aquilo que é mesmo importante. O tempo é o bem mais escasso do nosso quotidiano.
Só que o tempo não estica e por essa inadaptabilidade da natureza aos tempos modernos, temos que pagar o nosso tributo em cafés todos os dias. Em cafés e em saúde (esta última na sua definição mais lata: bem-estar). Quem tem uma vida "comum", não consegue deitar cedo mas obriga-se a cedo erguer. São as tarefas diárias que começam de noite e terminam de noite e mesmo assim fica sempre algo por fazer nesta recorrente procrastinação que é a nossa vida: amanhã faço isto, amanhã faço aquilo, tenho que arrumar isto, tenho que organizar estas fotos, tenho que escrever isto, tenho que preencher aquilo, tenho, tenho, tenho...
Até que um dia estamos velhos e tudo o resto fica para segundo plano. As prioridades baralham-se porque passamos a ter tempo, mas já não conseguimos fazer o que ficou para trás. E vem a solidão, vem a depressão, o abandono... Os filhos que nós despejámos no ATL acham normal despejarem-nos no asilo ou simplesmente abandonarem-nos à nossa sorte. Nós sabemos o que lhes fizemos e não os criticamos, antes damos-lhes razão! A nossa função de pais é muito maior que proporcionar instrução e conforto material. As palavras educação, amor e entrega entram nessa equação, mas a seu tempo teremos oportunidade de saber se as usámos.
Daqui a trinta anos, Portugal terá cerca de um milhão e meio de idosos. Com o decréscimo da nossa população isso correponderá a próximo de vinte por cento do total dos habitantes do país. E porque a medicina e os cuidados preventivos serão cada vez mais eficazes, teremos velhotes para lavar e durar. Pessoas activas e saudáveis que não se renderão facilmente a uma qualquer instituição onde os encostam semi-atordoados com barbitúricos para que comam a sopa sem resmungar. Vamos ter idosos com algum poder de compra, muitos com casa própria, mas vítimas de uma lepra que já todos conhecemos: a solidão. Nas aldeias do interior ainda existe alguma solidariedade pois a população sofre toda do mesmo mal e quando somos todos iguais, amparamo-nos. Nas cidades tem sido feito algum esforço por parte das Juntas de Freguesia e até por algum policiamento de proximidade que mais não podem fazer que bater ao postigo e ver se há resposta: sempre é melhor que esperar pelo cheiro para arrombar a porta...
Lado a lado é um projecto de Acção Social da Associação Académica de Coimbra apresentado esta semana. Não sei se é pioneiro, para mim é. Pioneiro e muito interessante.
Em traços gerais, a A.A.C. pretende mediar a oferta de alojamento a preços realmente simbólicos ou mesmo gratuito a estudantes com dificuldades financeiras em troco de algum apoio a idosos solitários. O alojamento pode ser em casa dos idosos ou, na impossibilidade, numa I.P.S.S. (têm já a colaboração de pelo menos um centro social de bairro) que ceda as instalações. O apoio reveste-se de gestos tão simples como ir à farmácia, ir pagar a conta da luz, acompanhar o idoso ao médico, fazer um bocadinho de companhia caso vivam na mesma casa ou comprometer-se a visitá-lo pelo menos uma vez por dia. Tudo acompanhado de muito perto pelos serviços sociais da Academia com garantias de preservação da identidade e da privacidade de cada uma das partes.
Torço para que tenham sucesso.
Por todas as razões e acima de tudo por uma: isto é uma lição de cidadania. E neste momento, onde os portugueses mais estão deficitários é precisamente na cidadania.
Pode parecer pouco, mas como disse um chinês famoso (não foi o Mao Tse Tung) - "Mesmo uma caminhada de mil quilómetros começa com um passo".

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Noventa e um parabéns

(Júlio Resende - Divertimento)

Momento Monty Python

No país dos matraquilhos discute-se o orçamento.
Vai iniciar-se um ciclo eleitoral com três actos eleitorais seguidos.
De repente aparece uma ligeira alteração numa lei que tem a ver remotamente com o financiamento dos partidos.
Coisa pouca a alteração. Coisa muita, suspeita-se, o resultado. E transversal!
Quase que nem se dava por ela, pela alteração.
Mas deu-se.
Bollocks!

Dire quê?


Mark Knopfler confirmou que um regresso dos Dire Straits está fora de questão.
Se for verdade é bom, se for mentira é bom também!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Momento Super Bock

Se no próximo dia 1 estiver calor vai fazer um jeitaço para dar de beber à dor.
Com sorte pode ser que escorra alguma para as profundezas.
Ou será que o barril tem ligação directa às "Terras do Demo"?

E ainda por cima o Porto perdeu!


O trabalho de um ano pode ser nada. O trabalho de um ano pode ser o trabalho de uma vida. Uma seara tratada com carinho é o trabalho de um ano que cinco minutos de granizo podem reduzir a lama.
O trabalho de um ano de Miguel Sousa Tavares caberia numa pen, caberia num CD, caberia num disco externo, mas o direito ao livre arbitrio e o direito à integridade do que é nosso, levou a que Miguel Sousa Tavares deixasse o trabalho de um ano dentro do disco do seu computador pessoal. O trabalho de um ano, ao que consta fracções já adiantadas de dois livros, podia ter sido copiado e guardado em lugar seguro. Nem todos nos podemos gabar de conseguir guardar o trabalho de um ano num simples backup informático, mas Miguel Sousa Tavares pode e não o fez. Ninguém tem o direito de nos tirar o trabalho de um ano; nem o de um segundo.
Quando o trabalho estivesse terminado, Miguel Sousa Tavares soltá-lo-ia e o trabalho dele passaria a ser o prazer de muitos: pagamento supremo de quem cria!
Quero não crer que este incidente se trate de um acidente no percurso do larápio: em certos trabalhos e em certos anos pode pedir-se resgate pelo trabalho de um ano. Esperemos que sim. Que seja pedido e pago e recuperado o trabalho de um ano. Que não se trate de um acidente de percurso e que não esteja já na "Recycle Bin" o trabalho de um ano.
Se o pior se confirmar ainda havemos de ler daqui a algum tempo (quando for confortável fazê-lo) um determinado cronista (pessoa que muito admiro desde que não faça crítica literária)) do Público a escrever a elegia fúnebre do romance que ficou por sê-lo. A derradeira crítica que dirá que à terceira obra de grande fôlego (leia-se calhamasso) seria de vez.
Tem toda a minha simpatia, caro Miguel. E porque nunca o abandonará David Crocket, esperamos de si um romance ainda melhor que qualquer um dos que estavam a meio. E guardado apenas no seu novo computador pessoal porque ninguém, nem mesmo um badameco qualquer que lhe entra em casa, se fica a rir na sua cara.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Valor II

Gallo por lebre


-Ó menina, então e o azeite?
-Já lhe levo a carta.
-A carta? Qual carta? Ó Jerónimo a catraia não ouviu o que eu disse e tenho aqui a pescada a arrefecer. O azeite, menina, o azeite.
-Se comesses dobrada como eu não era preciso azeite.
-É o castrol, pá? ****** mas é a garota que não traz o ********* do galheteiro.
-A culpa é das mulheres. De algumas, porque a minha não me leva ao médico de família!
-Ai é, ai é! Havias de ver as minhas análises…
-Pronto, aqui tem a carta
-A carta?! Mas que raio! Uma carta de azeites!
-Sim, agora já podemos ter galheteiros à moda antiga mas temos que ter uma carta de azeites.
-Ó Jerónimo, o que ******* é extra-virgem?
-Deve ser a empregada qué feia cumós trovões! Come lá isso que ainda temos que ir para Sernancelhe. Eu aturo cada um!
-E acidez? O azeite tem acidez?
-O vinho é que tem, e muita! Até arrepia! Custava muito terem comprado o produto da cuprativa e porem no ****** do vinho? É perro o filho da *****!
-Ó menina!
-Diga lá fachavor.
-Mas a carta é pra quê?
-É para garantir que o que pomos no galheteiro é mesmo azeite.
-E como é que garante?
-Não sei! Isso tem que perguntar ao patrão que eu só faço o que me mandam.
-Come lá a pescada, Chico!
-A culpa disto tudo é do Socas. Se o gajo aparecesse aqui eu dizia-lhe onde é que ele podia meter a carta dos azeites… e o galheteiro. Ó menina!
-Sim!
-Traga-me óleo Fula que esse eu sei o que é. E quente porque a pescada está gelada!
-E pra mim uma bica pingada.
-Com quê?
-Com bagaço, ******, havia de ser com quê? Com leite?!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Os "asaes"

Já se murmurava em cantos esconços de cafés, já se comentava anónimanente na blogosfera. Indivíduos de perfil adunco, chapéu escuro e abas levantadas trocavam entre si impressões sobre o assunto, cosidos com as esquinas mais escuras da nossa cidade.
Tamanho burburinho chegou, insurdecedor, aos ouvidas da sempre atenta imprensa regional e eis que, num furo jornalístico, se solta a bomba: a A.S.A.E. aterrou na Mealhada.
As antigas instalações do I.V.V. terão sido tomadas de assalto a coberto da gélida e cúmplice madrugada e transformadas em depósito das apreensões levadas a cabo pela nefasta organização.
Maquinaria sinistra, operada por não menos sinistros génios do mal, trabalha incessantemente nestas já longas noites de Outono destroçando o saque e as provas de crimes económicos e outros.
Não sei se não estarão já as caldeiras e os alambiques devidamente kitados para cumpriem com reverência os trabalhos crematórios que farão desaparecer de forma permanente os exéquios resquícios dos suspeitos arrastados para interrogatório.
Pode ser impressão minha, mas parece-me já ter visto fumo a sair das chaminés antes desactivadas: fumo branco para os suspeitos de crimes económicos e fumo preto para os suspeitos de atentados à saúde pública. Poder-se-á aventar a hipótese de fumos de outras cores quando a triagem passar a ser mais rigorosa.
O caos está instalado.
Os meliantes (os tais, os membros da irmandade, os “asaes”) deslocam-se impunemente pelas ruas da cidade,misturando-se com a populaça. Vão tomar café como as outras pessoas, irão provavelmente almoçar como as outras pessoas e, arrisco, serão até capazes de beber o seu copito à refeição, como as outras pessoas.

A maldição caiu sobre a nossa terra…

Acontece que não é a proximidade que atiça a A.S.A.E., acontece que alguns dos cientistas loucos que operam as máquinas são ex-funcionários locais do I.V.V. que assim conseguiram manter os seus postos de trabalho fugindo à deslocalização ou até à disponibilidade, acontece que assim temos as instalações ocupadas e não entregues à sua sorte e a toda a espécie de moléstias das que atacam os edifícios abandonados.
Claro que continua ser vedado à velhota de Arinhos ir vender ovos caseiros à feira, claro que o controlo sanitário dos matadouros dos restaurantes vai continuar a ser feito com as tais regras que muitos (neste caso eu também) apelidam de excesso de zelo, claro que continua a ser discutida a velha questão do frango de cabidela, mas não é porque a A.S.A.E. possa utilizar uns armazéns à nossa porta para guardar uns pechisbeques ou destruir umas carcaças de vitela putrefactas que isso vai ser alterado.
Continuamos a ter este clima apenas porque o legislador, numa atroz falta de sensibilidade, se limitou a passar a papel químico as regras que a NASA utiliza para fazer o comer dos astronautas. Mesmo com a abertura proporcionada pelo despacho normativo 38/2008 (fresquinho,de 13 de Agosto), que apesar de benéfico, acarreta ainda muito papel e muito grupo de trabalho: ainda demais para quem pretende fabricar alguma coisa artesanalmente.
Tem piada que não me lembro de ter visto os jornais a tocarem a rebate quando o I.V.V. começou a reduzir o pessoal e a deslocalizar-se daqui pra fora sem água vai.
Distracção minha, suponho...

16 de Outubro, dia mundial da alimentação

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Happy Birthday Sir


Roger Moore faz hoje 81 anos.
Foi provavelmente o Bond mais piroso, mas apareceu em sete filmes da série 007.
A questão é que, mesmo piroso, terá sido, na minha opinião, o actor que melhor encarnou o espírito do personagem de Fleming: Connery foi e é um actor fora de série, mas o seu Bond era pouco fantasioso, pouco tecnológico (nunca por culpa dele); Lazemby nem chegou a aquecer o lugar e passou completamente despercebido (excepto em Portugal porque parte do filme foi cá rodado); Dalton era muito terra a terra, realista demais (foi o primeiro Bond a levar tareias a sério e o primeiro a sangrar na tela); Brosnan foi ofuscado pelos efeitos especiais (em detrimento dos argumentos) e Craig ainda está a começar (mas pela amostra, poderá vir a ser o meu favorito).
Quem leu algum dos livros de Fleming saberá do que falo quando digo que Moore encarna melhor o personagem. Foi até hoje o mais charmoso (Connery tornou-se charmoso com a idade), o mais cínico (factor importante), o mais irreal (a aura de Bond é importantíssima), o mais canastrão (espião de ficção que se preze tem que ser canastrão) e o que seduziu as Bond Girls mais bonitas (pormenor nunca dispiciendo).
Claro que a época Roger Moore coincidiu em mim com a idade em que o cinema exerce mais fascínio sobre as pessoas, o que nunca me deixará ter uma opinião isenta.
Mas como a própria definição de opinião jamais deve carregar consigo o jugo da isenção... Parabéns Roger Moore!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

post-morTen aestetics

Do caos nasceu a luz e numa aurora de tempos difíceis moldou-se uma geração de iconoclastas. A ordem foi desafiada e tracejada em fiapos de novas esperanças e novos caminhos e novas vivências e novas estruturas. De novas estéticas se fez a nova ordem e da nova ordem veio o novo fio condutor. E de novos escritos nasceu o futuro e um amanhã risonho e novos meninos a brincar em paz à beira do caminho. E do tudo se fez nada e do nada se fez muito e muito se teceu em tramas de lúdicas e lúcidas alter realidades. Ter a vida um só segundo e num segundo a vida toda e ousar saber ser feliz. E das luminosas cores do arco iris se desprendeu um passado negro e se abriu o novo dia. E da felicidade encontrada jorraram novas verdades e novas realidades. E do mundo se fez mundo. E caminhando lado a lado com todos os povos da terra em direcção ao infinito sem medo do desconhecido. E tudo se tentou. E tudo se provou. E do que se provou nasceu o caos e do caos de novo a luz e da luz a eternidade. Sempre a eternidade: a busca incessante do futuro e da verdadeira razão de ser da vida. E uma filosofia nasceu do eterno continuum da eterna e constante revolução do ser. E do ser se fizeram réplicas e das cópias se fizeram vidas e das vidas se fizeram rostos e dos rostos novos sonhos. E de quem ousou sonhar se fez o mundo. Um novo mundo ao pé da porta.
Só que o mundo sempre precisou de quem tomasse conta dele. E ninguem se lembrou disso...

:)

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Questões de fé

(Fotografia de Ansel Adams)

Don Manolo, homem de esquerda e patriarca do filme Belle Epoque de Fernando Trueba que arrebatou em 1993 o Oscar para o melhor filme estrangeiro, assumia a sua impotência perante as três instituições mais reaccionárias da sociedade: o casamento, o exército e a igreja.
E explicava a sua revolta: o casamento porque mesmo depois de separado só conseguia consumar o acto copulatório com a ex mulher o que o impedia de ser infiel, o exército porque ao ser considerado inapto lhe foi vedada a possibilidade de desertar e a igreja porque fora baptizado antes de ter vontade própria e é sabido que o baptismo deixa uma marca a todos os níveis indelével e por isso irreversível.
Tirando a questão da "ex-mulher" que é assunto do foro privado, em tudo o resto me identifico com Don Manolo. Felizmente não tive que conhecer por dentro a instituição militar (que respeito, mas que considero dever ser apenas para profissionais) e cultivo por inércia uma relação de um intermitente e higiénico distanciamento em relação à instituição igreja. Sou baptizado, comunguei e fui até escuteiro, mas tenho ainda uma visão da vida que me permite por enquanto relegar para segundo plano assuntos de fé por troca com assuntos mais terrenos, quiçá pecaminosos. Presumo que a Luz me advirá com a idade.
François Miterrand, homem de fé apenas terrena, obteve-a (à Luz) pouco antes de morrer como pude constatar num conjunto de conversas que manteve com Elie Wiesel (Nobel da Paz), editadas no livro Memória a duas vozes.
Parto pois do princípio que, se Miterrand conseguiu encontrar a Luz, porque obscura razão me poderá, a seu tempo, ser vedado tal desígnio?
No entretanto permito-me questionar algumas coisas que por vezes me assolam a solidão dos dias mais pachorrentos. E ontem deparei-me com uma. Apenas mais uma.
Porque razão pretende Bento XVI, cidadão alemão, ressuscitar a ideia de beatificar Pio XII, cidadão italiano, precisamente o papa que pontificou durante a Segunda Guerra Mundial e cujo silêncio acerca do holocausto (de que foi contemporâneo) continua a ser encarado por muitos como, no mínimo, cúmplice?
Não me parece prudente. Será fé ou falta de fé?

Portugal empreendedor


Nicolas Cage usa no seu banho um sabonete português.
Oprah Winfrey incluiu no cabaz de Natal de 2007, produtos de beleza portugueses(www.oprah.com/slideshow/oprahshow/slideshow1_ss_gifts_oft_350/10).
Existe hoje uma apetência cada vez maior do mercado para produtos de luxo que nos transportem para um passado de artesãos dedicados e iguarias produzidas à mão. Oficinas imaculadas onde calmamente se produzem as loções, os unguentos e os pós de perlimpimpim que iluminam os sonhos.
Dedos sábios que aconchegam os sabonetes em papel de seda e mãos experientes que os embrulham em embalagens com motivos castos e quase pueris, alguns inalterados desde há mais de cem anos.
Produzem-se hoje em Portugal, com marca portuguesa, alguns dos sabonetes mais famosos do mundo do glamour.
Não devo errar muito se disser que competem com os famosíssimos Roger & Gallet, considerados durante décadas como os embaixadores do luxo, no que respeita a barras de sabão. A Clausporto (http://www.clausporto.com/) é a marca Prime da empresa portuguesa Ach. Brito que produz alguns dos sabonetes correntes mais famosos da nossa infância como o Musgo Real ou o Patti . A história pode ler-se no site.
Este abrir de portas ao mundo deveu-se primeiro à empresa, que nunca deixou de acreditar e empreender, mas também a um advogado de Nova Iorque e a uma distribuidora americana (http://www.lafco.com/) que já se encarregou de colocar os produtos Clausporto em todo o território americano e também no Canadá.
Por cá já há mais quem se tenha mexido e entraram (ou reentraram) no mercado mais duas marcas que prometem dar continuidade a esta apetência por um tipo de produtos portugueses que, pelos vistos, continuam, firmes, na moda: a Saboaria Portugueza (www.saboaria.com/catalog/welcome.do) e a Castelbel (http://www.castelbel.com/).
Excelentes presentes de Natal.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Strummer rules

A crise que nunca tivemos nem deixámos de ter

Ó povo que lavas no rio
O lixo das pecuárias.
Relembra
Que cospes no chão
Sebento, rachado
Cimento, calçada,
Caminho, alcatrão…

Pára!

Pensa o momento.
Nãã!
Saca da fossa,
Urina o cimento.
Caracóis no nariz
Copos de tinto
E a pose de macho
Mais dura que aço,
Estilhaça o verniz.
Bate no puto.
Marcha,
Corropio
Ai que te racho ó vadio.
Noite instalada
E a casa que falta acabar.
O reboco pinguço
Observa o cenário
Ferve estalada
A janta atrasada
Sofre a mulher
Exausta de trabalhar
Em silêncio a morrer
Sempre sempre a correr
Tropeçar,
Viver a sofrer.
Por fim o serão
Colado à televisão
Coça a barriga
Desdobra o Record,
Lê e relaxa…

Postiço como a pinta das putas,
Que nos ombrais
Das portas,
Fumam,
Dando-se ares de sofisticação.
E tudo em busca de atenção...


Poema anónimo de corrente naturalista.
Escola Ettore Scola, século XXI

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Ai Fáive


(Texto recebido por email - o autor é desconhecido, mas pode ser um aluno qualquer deste país)

"Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver q á razões qd um aluno não vai á escola. primeiros a peçoa n se sente motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas. Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto montanhoso? ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? ou cuantas estrofes tem um cuadrado? ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã? E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os lesiades', q é um livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah.
Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos profes até dam gomitos e a malta re-sentesse, outro dia um arrotou q os jovens n tem abitos de leitura e q a malta n sabemos ler nem escrever e a sorte do gimbras foi q ele h-xoce bué da rapido e só o 'garra de lin-chao' é q conceguiu assertar lhe com um sapato. Atão agora aviamos de ler tudo qt é livro desde o Camóes até á idade média e por aí fora, qués ver??? O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço de otelaria e a malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e merdas de xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar um gravetame do camandro. Ah poizé. tarei a inzajerar?"

Coisas que me deixam a veia da cabeça a latejar


Desloco-me habitualmente de comboio.
Se nos abstrairmos de que os bancos (dos comboios) estão nojentos, mercê dos energúmenos para quem sentado quer dizer com as patas em cima do banco da frente e que compõem uma grossa fatia da população deste país, os comboios são hoje um muito agradável, barato (por comparação) e pouco poluente meio de transporte.
Uso passe, embora com intermitências, desde há mais de dez anos.
De um modo geral os revisores já me conhecem, mas mesmo assim, e muito bem, cumprimentam-me (é verdade sim senhor) e pedem-me que mostre o passe. Simples, claro e eficaz.
Por outro lado, todos os dias viajam no comboio indivíduos sem qualquer simbolo ou farda que os identifique como funcionários da CP ou associadas, cujo passe é um aperto de mão ao revisor.
Por princípio, acho um abuso que os funcionários da CP e associadas (familia incluída, presumo) andem de comboio de borla quando não se deslocam de e para o serviço. Trata-se de uma empresa pública, com um passivo monstruoso e como tal assiste-me o direito de não achar bem tal norma. Mas mesmo assumindo que a CP é soberana em dar borlas a quem lhe apetece, ao menos que se identifiquem os individuos. Quem é que me garante que os ex-funcionários da CP (não estou a falar de reformados) não continuam a andar de borla mesmo depois de deixarem de fazer parte dos quadros da empresa. O revisor não é obrigado a saber qual a situação profissional das pessoas com quem se cruza no comboio.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Ceci n'est pas une piercing!

O feliz proprietário desta caveira é um rapazinho inglês e aquele implante no sobrolho, embora pareça, não é um piercing.
Ficou meio atordoado e ainda se locomove de muletas, mas pode gabar-se de ter levado com uma faca de cozinha na moleirinha e de ter sobrevivido.
Foi em Novembro de 2007 e aconteceu quando tentou ajudar um amigo que estava a ser assaltado numa paragem de autocarro em Londres.
O moço tem 16 anos e a faca 12 centimetros só de lamina. Não sei se o deixaram ficar com ela, mas que ficaram intímos, lá disso parece que não restam dúvidas.
Este, parece-me, evita de jogar no Euromilhões. Gastou toda a sorte a que tinha direito na vida de uma vez só!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Momento seríííííssimo

Morreu o McShade


Molero busca na existência de um anónimo rapaz o sentido da vida e tenta explicar todo o seu mistério em pequenos relatórios que entrega aos seus superiores Austin e Mister Deluxe.
E o que diz Molero?
Diz que morreu Dinis Machado...e que provavelmente caminhará com o seu amigo Dennis McShade pelas extensas planícies da eternidade em busca do que já não precisa: o sentido da vida.
Diz Molero que estamos todos mais pobres e se o diz é porque estamos.
Molero sabe das coisas.
Morreu McShade, Molero dixit, e agora é pela ultima vez!
E fumava charutos, acrescento, este homem de gosto apurado.

Momento sério

Serviço público


Programação TV Benfica
(enviado pelo meu amigo Xavier, um benfiquista com sentido de humor)

9:00 Alvorada da Águia Vitória
A emissão começa em directo da capoeira de Juan Barnabé com o grasnar da águia Vitória.
10:00 Barbas
Talk-show da manhã apresentado pelo famoso Barbas que inclui:
Tertúlia vermelha com: Jorge Máximo, Bagão Félix,
Margarida Prieto e estátua do Eusébio.
Baliza das Patacas: Concurso com Juan Barnabé e águia Vitória.
Aconselhamento jurídico: com João Vale e Azevedo.
Na cozinha com o Barbas: no programa de hoje batatas fritas com sal.
13:00 Primeiras Noticias Gloriosas
Apresentado por Fernando Chalana e Diamantino (vestido de tailleur e com peruca loira).
14:00 Benfica no Coração
Talk-show com Diamantino e Fernando Chalana em que diariamente visitam uma casa do Benfica.
17:00 Diabos Rebeldes Com Açúcar
A história das aventuras e desventuras dos jovens membros das claques.
20:00 Noticias Gloriosas da Noite
Apresentado por Diamantino e Fernando Chalana (desta vez é Chalana vestido de tailleur e com peruca loira).
20:50 Meteorologia
Apresentado por Leonor Pinhão de mini-saia.
21:00 Eu Não Sei Mais Do Que o Rui Santos
Concurso em que os conhecimentos dos concorrentes são postos à prova.
22:00 CSI Apito Dourado
23:00 Black Tie
Talk-show de variedades apresentado por Manuel Vilarinho
Inclui actuação permanente das cheerleaders do Benfica.
01:00 Ser Benfiquista
Hino cantado por Diamantino e Chalana.
Fim de emissão.
02:00 Televendas
Apresentado por Diamantino e Chalana
Especial equipamento Cor de Rosa - apenas 2,99€.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O Subprime


(Texto enviado por mail amigo. Autor, presumo que brasileiro, desconhecido)

O Ti Joaquim tem uma tasca, na Vila Carrapato, e decide que vai vender copos "fiados"aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.
Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose do tintol e da branquinha (a diferença é o sobre preço que os pinguços pagam pelo crédito).
O gerente do banco do Ti Joaquim, um ousado administrador formado em curso muito reconhecido, decide que o livrinho das dívidas da tasca constitui, afinal, um activo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento, tendo o "fiado" dos pinguços como garantia.
Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrónimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.
Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (os tais livrinhos das dívidas do Ti Joaquim).
Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.
Até que alguém descobre que os bêbados da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e a tasca do Ti Joaquim vai à falência. E toda a cadeia sifu...deu.
Viu... é muito simples...!!!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Hoje é dia mundial da música (acho eu)


A música é a única linguagem universal.
É transversal a toda a humanidade e ainda a um privilegiado grupo de outros animais que a ela são sensíveis.
É o mais completo dos alimentos da alma.
Sem música haveria certamente vida, mas jamais VIDA.
Bem haja o som que nos faz vibrar!
Penguin Cafe Orchestra(1973/1997) - "Perpetuum Mobile"